quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A FAMÍLIA QUE ACOMPANHA O REI EM SEU BANQUETE(OLUBAJÉ)










A ORIXÁ EWÁ – A ORIXÁ DA VIDÊNCIA – DIA 05 DE AGOSTO

Rainha do céu estrelado, dona das ilhas e penínsulas, orixá das nuvens, da chuva e das transformações, faixa branca do arco-íris, são muitas as imagens associadas a Ewá. Deusa casta, de poucos amores, ela ajuda a curar a esterilidade feminina. Tem o poder de se tornar invisível e de ler o oráculo de Ifá, o deus da adivinhação. Nos terreiros, Ewá dança empunhando uma espada e trazendo à cintura dois arpões, pois está associada também à guerra e à pesca abundante.
Orixá que protege as virgens e tudo que é inexplorável. Ewá tem o poder da vidência.
Senhora do céu estrelado, rainha dos cosmos. Ela está no lugar onde o homem não alcança.
Uma deusa de muitos mistérios, pouco se sabe a seu respeito.
* Características:
. Nome: Ewá
. Origem: Nigéria
. Data: 05 de Agosto
. Elemento: Água
. Suporte: Águas doces e salgadas, ilhas e penínsulas
. Cores: Amarelo e vermelho
. Colares: Contas amarelas e vermelhas
. Saudação: Ri Ro Rinró Ewá!
. Oferendas Rituais: Milho pilado com coco cortado, batatas doces e banana da terra frita em azeite de dendê com farofa do mesmo azeite.
. Bebida: Vinho branco ou rosado suave
. Metais: Ouro e Bronze
. Cristais: Opala, Água Marinha e Rubi
. Signo: Virgem
. Dia da Semana: Sábado
. Vela: Amarela e vermelha
. Hora: 18 horas
. Local para acender: Perto da cachoeira
. Vibrações: Para eliminar falsidades e todo tipo de conflito
. Instrumento: A espada e o arpão

Yroko é um Orixá muito antigo.Foi a primeira árvore plantada (gameleira) e pela qual todos os restantes Orixás desceram à Terra. Yroko é a própria representação da dimensão Tempo.
Em todas as reuniões dos Orixás está sempre presente Yroko, calado num canto, anotando todas as decisões que implicam directamente na sua acção eterna. É um Orixá pouco conhecido dos seres vivos ou mortos, nascidos ou por nascer. Toda a criação está nos seus desígnios. É o Orixá Yroko, implacável e inexorável, que governa o Tempo e o Espaço, que acompanha, e cobra, o cumprimento do Karma de cada um de nós, determinando o início e o fim de tudo.

Saudação
Erôôô

Cores
Branco

Dia
Segunda-feira

Símbolo
Lança e grelha

Elemento da Natureza
Gameleira

Animal Sagrado
Preá e pombo

Lenda
No começo dos tempos, a primeira árvore plantada foi Yroko. Yroko foi a primeira de todas as árvores, mais antiga que o mogno, o pé de obi e o algodoeiro. Na mais velha das árvores de Yroko, morava seu espírito. E o espírito de Yroko era capaz de muitas mágicas e magias. Yroko assombrava todo mundo, assim se divertia. À noite saia com uma tocha na mão, assustando os caçadores. Quando não tinha o que fazer, brincava com as pedras que guardava nos ocos de seu tronco. Fazia muitas mágicas, para o bem e para o mal. Todos temiam Yroko e seus poderes e quem o olhasse de frente enlouquecia até a morte.

Numa certa época, nenhuma das mulheres da aldeia engravidava. Já não havia crianças pequenas no povoado e todos estavam desesperados. Foi então que as mulheres tiveram a idéia de recorrer aos mágicos poderes de Yroko. Juntaram-se em círculo ao redor da árvore sagrada, tendo o cuidado de manter as costas voltadas para o tronco. Não ousavam olhar para a grande planta face a face, pois, os que olhavam Yroko de frente enlouqueciam e morriam. Suplicaram a Yroko, pediram a ele que lhes desse filhos. Ele quis logo saber o que teria em troca. As mulheres eram, em sua maioria, esposas de lavradores e prometeram a Yroko milho, inhame, frutas, cabritos e carneiros. Cada uma prometia o que o marido tinha para dar. Uma das suplicantes, chamada Olurombi, era a mulher do entalhador e seu marido não tinha nada daquilo para oferecer. Olurombi não sabia o que fazer e, no desespero, prometeu dar a Yroko o primeiro filho que tivesse.

Nove meses depois a aldeia alegrou-se com o choro de muitos recém-nascidos. As jovens mães, felizes e gratas, foram levar a Yroko suas prendas. Em torno do tronco de Yroko depositaram suas oferendas. Assim Yroko recebeu milho, inhame, frutas, cabritos e carneiros. Olurombi contou toda a história ao marido, mas não pôde cumprir sua promessa. Ela e o marido apegaram-se demais ao menino prometido.

No dia da oferenda, Olurombi ficou de longe, segurando nos braços trêmulos, temerosa, o filhinho tão querido. E o tempo passou. Olurombi mantinha a criança longe da árvore e, assim, o menino crescia forte e sadio. Mas um belo dia, passava Olurombi pelas imediações do Yroko, entretida que estava, vindo do mercado, quando, no meio da estrada, bem na sua frente, saltou o temível espírito da árvore. Disse Yroko: "Tu me prometeste o menino e não cumpriste a palavra dada. Transformo-te então num pássaro, para que vivas sempre aprisionada em minha copa." E transformou Olurombi num pássaro e ele voou para a copa de Yroko para ali viver para sempre.

Olurombi nunca voltou para casa, e o entalhador a procurou, em vão, por toda parte. Ele mantinha o menino em casa, longe de todos. Todos os que passavam perto da árvore ouviam um pássaro que cantava, dizendo o nome de cada oferenda feita a Yroko.

Até que um dia, quando o artesão passava perto dali, ele próprio escutou o tal pássaro, que cantava assim: "Uma prometeu milho e deu o milho; Outra prometeu inhame e trouxe inhames; Uma prometeu frutas e entregou as frutas; Outra deu o cabrito e outra, o carneiro, sempre conforme a promessa que foi feita. Só quem prometeu a criança não cumpriu o prometido."

Ouvindo o relato de uma história que julgava esquecida, o marido de Olurombi entendeu tudo imediatamente. Sim, só podia ser Olurombi, enfeitiçada por Yroko. Ele tinha que salvar sua mulher!

Mas como, se amava tanto seu pequeno filho?

Ele pensou e pensou e teve uma grande idéia. Foi à floresta, escolheu o mais belo lenho de Yroko, levou-o para casa e começou a entalhar. Da madeira entalhada fez uma cópia do rebento, o mais perfeito boneco que jamais havia esculpido.

O fez com os doces traços do filho, sempre alegre, sempre sorridente. Depois poliu e pintou o boneco com esmero, preparando-o com a água perfumada das ervas sagradas. Vestiu a figura de pau com as melhores roupas do menino e a enfeitou com ricas jóias de família e raros adornos.

Quando pronto, ele levou o menino de pau a Yroko e o depositou aos pés da árvore sagrada. Yroko gostou muito do presente. Era o menino que ele tanto esperava!

E o menino sorria sempre, sua expressão, de alegria.

Yroko apreciou sobremaneira o fato de que ele jamais se assustava quando seus olhos se cruzavam. Não fugia dele como os demais mortais, não gritava de pavor e nem lhe dava as costas, com medo de o olhar de frente. Yroko estava feliz. Embalando a criança, seu pequeno menino de pau, batia ritmadamente com os pés no solo e cantava animadamente. Tendo sido paga, enfim, a antiga promessa, Yroko devolveu a Olurombi a forma de mulher. Aliviada e feliz, ela voltou para casa, voltou para o marido artesão e para o filho, já crescido e enfim libertado da promessa.

Alguns dias depois, os três levaram para Yroko muitas oferendas. Levaram ebós de milho, inhame, frutas, cabritos e carneiros, laços de tecido de estampas coloridas para adornar o tronco da árvore.

Eram presentes oferecidos por todos os membros da aldeia, felizes e contentes com o retorno de Olurombi. Até hoje todos levam oferendas a Yroko. Porque Yroko dá o que as pessoas pedem. E todos dão para Yroko o prometido.

OBÁ

Orixá do rio Níger, terceira mulher de Xangô. Orixá, embora feminina, temida, forte, energética, considerada mais forte que muitos Orixás masculinos. OBÁ Divindade feminina, guerreira que às vezes é também citada como caçadora. Irmã de Óya (Iansã). Esposa de Ogum e, posteriormente, terceira e mais velha mulher de Xangô.

Bastante conhecida pelo fato de ter seguido um conselho de Oxum e decepado a própria orelha para preparar um ensopado para o marido na esperança de que isto iria fazê-lo mais apaixonado por ela. Quando manifestada, esconde o defeito com a mão. Seus símbolos são uma espada (idà) e um arco e flecha (ofá). Sua saudação é OBA XÍ ou ÖBA XIRE.

O ARQUÉTIPO DE OBÁ

As pessoas pertencentes a este Orixá são lutadoras, bravas, um tanto agressivas, o que as levam a serem pouco incompreendidas. Freqüentemente tendem a terem experiências infelizes e amargas. São ciumentas, pois são muito zelosas com tudo que lhe pertencem.

Porém, pessoas de grande valor e dedicação. Tendem a alcançar seus ideais. Dedicadas e muitas vezes ingênuas, principalmente em relação ao amor e as amizades.

OBÁ — Orixá guerreira e das águas revoltas !!!

Obá vivia em companhia de Oxum e Oyá (Iansã), no reino de Oyó, como uma das esposas de Xangô, dividindo a preferência do reverenciado Rei entre as duas Iyabas (Orixás femininos).

Obà percebia o grande apreço que Xangô tinha por Oxum, que mimosa e dengosa, atendia sempre a todas as preferencias do Rei, sempre servindo e agradando aos seus pedidos. Obà resolveu então, perguntar para Oxum qual era o grande segredo que ela tinha, para que levasse a preferencia do amor de Xangô, vez que Oyá, andava sempre com o Rei em batalhas e conquistas de reinados e terras, pelo seu gênio guerreiro e corajoso e Obà era sempre desprezada e deixada por último na lista das esposas de Xangô.

Oxum então, matreira e esperta, falou que seu segredo era em como preparar o amalá de Xangô principal comida do Rei, que lhe servia sempre que deseja-se bons momentos ao lado do patrono da justiça. Obà, como uma menina ingênua, escutou e registrou todos os ingredientes que Oxum falava e que eram de extrema importância para a realização de tal culinária, sendo que por fim Oxum, falou que além de tudo isso, tinha cortado e colocado uma de suas orelhas na mistura do amalá para enfeitiçar Xangô.

Obà agradeceu a sinceridade de Oxum e saiu para fazer um amalá em louvor ao Rei, enquanto Oxum, ria da ingenuidade de Obà que, sempre atenta a tudo, não percebeu que Oxum mentira, pois ela encontrava-se com suas duas orelhas, e falará isso somente para debochar de Obà. Obà em grande sinal de amor pelo seu Rei, preparou um grande amalá, e por fim cortou uma de suas orelhas colocando na mistura e oferecendo à Xangô como gesto de seu sublime amor.

Xangô ao receber a comida, percebeu a orelha de Obà na mistura, e bravejou e gritou, e expulsou Obà do reino de Oyó, sem por fim nem explicação considerar. Obà triste e desiludida, fugiu para bem longe e nunca mais voltou aos domínios de Xangô, tendo hoje em dia, como sua arqui-rival em todos os candomblés do Brasil e do mundo, e até hoje quando manifestadas em seus iaôs elas dançam simbolizando uma luta.
OSUMARÉ
DIA: Terça-feira

CORES: Amarelo e verde (ou preto) e todas as cores do arco-íris

SÍMBOLOS: Ebiri, serpente, círculo, bradjá.

ELEMENTOS: Céu e terra

DOMÍNIOS: Riqueza, vida longa, ciclos, movimentos constantes.

SAUDAÇÃO: A Run Boboi!!!


Oxumaré (Òsùmàrè) é o orixá de todos os movimentos, de todos os ciclos. Se um dia Oxumaré perder suas forças o mundo acabará, porque o universo é dinâmico e a Terra também se encontra em constante movimento. Imaginem só o planeta Terra sem os movimentos de translação e rotação; imaginem uma estação do ano permanente, uma noite permanente, um dia permanente. É preciso que a Terra não deixe de se movimentar, que após o dia venha a noite, que as estações do não se alterem, que o vapor das águas suba aos céus e caia novamente sobre a Terra em forma de chuva. Oxumaré não pode ser esquecido, pois o fim dos ciclos é o fim do mundo.

Oxumaré mora no céu e vem à Terra visitar-nos através do arco-íris. Ele é uma grande cobra que envolve a Terra e o céu e assegura a unidade e a renovação do universo.
Filho de Nanã Buruku, Oxumaré é originário de Mahi, no antigo Daomé, onde é conhecido como Dan. Na região de Ifé é chamado de Ajé Sàlugá, aquele que proporciona a riqueza aos homens. Teria sido um dos companheiros de Odudua por ocasião de sua chegada a Ifé.

Dizem que Oxumaré seria homem e mulher, mas, na verdade, este é mais um ciclo que ele representa: o ciclo da vida, pois da junção entre masculino e feminino é que a vida se perpetua. Oxumaré é um Orixá masculino.

Oxumaré é um deus ambíguo, duplo, que pertence à água e à terra, que é macho e fêmea. Ele exprime a união de opostos, que se atraem e proporcionam a manutenção do universo e da vida. Sintetiza a duplicidade de todo o ser: mortal (no corpo) e imortal (no espírito). Oxumaré mostra a necessidade do movimento da transformação.

Omulú é o irmão mais velho de Oxumaré, mas foi abandonado por sua mãe por ter nascido com o corpo coberto de chagas. Em tempo, não se pode condenar Nanã por esse acto, já que era um costume, quase uma obrigação ritual da época, que se abandonassem as crianças nascidas com alguma deformidade. O deus do destino disse a Nanã que ela teria outro filho, belíssimo, tão bonito quanto o arco-íris, mas que jamais ficaria junto dela. Ele viveria no alto, percorreria o mundo sem parar. Nasceu Oxumaré.

Oxumaré que fica no céu
Controla a chuva que cai sobre a terra.
Chega à floresta e respira como o vento.
Pai venha até nós para que cresçamos e tenhamos longa vida.

Características dos filhos de Oxumaré

São pessoas que tendem à renovação e à mudança. Periodicamente mudam tudo na sua vida (de maneira radical): mudam de casa, de amigos, de religião, de emprego; vivem rompendo com o passado e buscando novas alternativas para o futuro, para cumprir seu ciclo de vida: mutável, incerto, de substituições constantes.

São magras. Como as cobras possuem olhos atentos, salientes, difíceis de encarar, mas ‘não enxergam’. São pessoas que se prendem a valores materiais e adoram ostentar suas riquezas; São orgulhosas, exibicionistas, mas também generosas e desprendidas quando se trata de ajudar alguém.
Extremamente activas e ágeis, estão sempre em movimento e acção, não podem parar.

São pessoas pacientes e obstinadas na luta pelos seus objectivos e não medem sacrifícios para alcançá-los. A dualidade do orixá também se manifesta nos seus filhos, principalmente no que se refere às guinadas que dão nas suas vidas, que chegam a ser de 180 graus, indo de um extremo a outro sem a menor dificuldade. Mudam de repente da água para o vinho, assim como Oxumaré, o Grande Deus do Movimento.

Dia Consagrado: 26 de Julho
Sincretismo: Santa ana / Sant’ana / Santana

Cores: Anil, Branco e Roxo
Símbolo: Bastão de hastes de palmeira (Ibiri)
Elemento: Terra, Água, Lodo
Domínios: Vida e Morte, Saúde e Maternidade
Saudação: Salubá!

Nanã, a deusa dos mistérios, é uma divindade de origem simultânea à criação do mundo, pois quando Odudua separou a água parada, que já existia, e liberou do “saco da criação” a terra, no ponto de contato desses dois elementos formou-se a lama dos pântanos, local onde se encontram os maiores fundamentos de Nana.
Senhora de muitos búzios, Nana sintetiza em si morte, fecundidade e riqueza. O seu nome designa pessoas idosas e respeitáveis e, para os povos Jeje, da região do antigo Daomé, significa “mãe”. Nessa região, onde hoje se encontra a República do Benin, Nana é muitas vezes considerada a divindade suprema e talvez por essa razão seja frequentemente descrita como um orixá masculino.
Sendo a mais antiga das divindades das águas, ela representa a memória ancestral do nosso povo: é a mãe antiga (Iyá Agbà) por excelência. É mãe dos orixás Iroko, Obaluaiê e Oxumaré, mas por ser a deusa mais velha do candomblé é respeitada como mãe por todos os outros orixás.
A vida está cercada de mistérios que ao longo da História atormentam o ser humano. Porém, quando ainda na Pré-História, o homem se viu diante do mistério da morte, em seu âmago irrompeu um sentimento ambíguo. Os mitos aliviavam essa dor e a razão apontava para aquilo que era certo no seu destino.
A morte faz surgir no homem os primeiros sentimentos religiosos, e nesse momento Nana faz-se compreender, pois nos primórdios da História os mortos eram enterrados em posição fetal, remetendo a uma ideia de nascimento ou renascimento. O homem primitivo entendeu que a morte e a vida caminham juntas, entendeu os mistérios de Nana.
Nana é o princípio, o meio e o fim; o nascimento, a vida e a morte.

Ela é a origem e o poder. Entender Nana é entender o destino, a vida e a trajectória do homem sobre a terra, pois Nana é a História. Nana é água parada, água da vida e da morte.
Nana é o começo porque Nanã é o barro e o barro é a vida. Nana é a dona do axé por ser o orixá que dá a vida e a sobrevivência, a senhora dos ibás que permite o nascimento dos deuses e dos homens.
Nana pode ser a lembrança angustiante da morte na vida do ser humano, mas apenas para aqueles que encaram esse final como algo negativo, como um fardo extremamente pesado que todo o ser carrega desde o seu nascimento. Na verdade, apenas as pessoas que têm o coração repleto de maldade e dedicam a vida a prejudicar o próximo se preocupam com isso. Aqueles que praticam boas ações vivem preocupados com o seu próprio bem, com a sua elevação espiritual e desejam ao próximo o mesmo que para si, só esperam da vida dias cada vez melhores e têm a morte como algo natural e inevitável. A sua certeza é a imortalidade da sua essência.

Nana, a mãe maior, é a luz que nos guia, o nosso quotidiano. Conhecer a própria vida e o próprio destino é conhecer Nana, pois os fundamentos dos orixás e do Candomblé estão ligados à vida. A nossa vida é o nosso orixá.
É na morte, condição para o renascimento e para a fecundidade, que se encontram os mistérios de Nana. Respeitada e temida, Nana, deusa das chuvas, da lama, da terra, juíza que castiga os homens faltosos, é a morte na essência da vida.

Características dos filhos de Nana Burukú

Os filhos de Nana são pessoas extremamente calmas, tão lentas no cumprimento das suas tarefas que chegam a irritar. Agem com benevolência, dignidade e gentileza. As pessoas de Nana parecem ter a eternidade à sua frente para acabar os seus afazeres; gostam de crianças e educam-nas com excesso de doçura e mansidão, assim como as avós. São pessoas que no modo de agir e até fisicamente aparentam mais idade.
Podem apresentar precocemente problemas de idade, como tendência a viver no passado, de recordações, apresentar infecções reumáticas e problemas nas articulações em geral.
As pessoas de Nana podem ser teimosas e “ranzinzas”, daquelas que guardam por longo tempo um rancor ou adiam uma decisão. Porém agem com segurança e majestade. As suas reações bem equilibradas e a pertinência das suas decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça.
Embora se atribua a Nana um carácter implacável, os seus filhos têm grande capacidade de perdoar, principalmente as pessoas que amam. São pessoas bondosas, decididas, simpáticas, mas principalmente respeitáveis, um comportamento digno da Grande Deusa do Daomé.

Qualidades do Orixá Nanã

Nanã Abenegi: Dessa Nanã nasceu o Ibá Odu, que é a cabaça que traz Oxumarê, Oxossi Olodé, Oya e Yemanjá.
Nanã Adjaoci ou Ajàosi: É a guerreira e agressiva que veio de Ifé, às vezes confundida com Obá. Mora nas águas doces e veste-se de azul.
Nanã Ajapá ou Dejapá: É a guardiã que mata, vive no fundo dos pântanos, é um Orixá bastante temido, ligado a lama, a morte, e a terra. Veio de Ajapá. Está ligada aos mistérios da morte e do renascimento. Destaca-se como enfermeira; cuida dos velhos e dos doentes, toma conta dos moribundos. Nela predomina a razão.
Nanã Buruku ou Búkùú: Também é chamada Olú waiye (senhora da terra), ou Oló wo (senhora do dinheiro) ou ainda Olusegbe. Este Orixá veio de Abomey; ligado à água doce dos pântanos, usa um ibirí azul.
Nanã Obaia ou Obáíyá: É ligada a água e a lama. Mora nos pântanos; usa contas cristal vestes lilás e veio do país Baribae.
Nanã Omilaré: É a mais velha, acredita-se ser a verdadeira esposa de Oxalá. Associada aos pântanos profundos e ao fogo. É a dona do universo, a verdadeira mãe de Omolu Intoto. Veste musgo e cristal.
Nanã Savè: Veste-se de azul e branco, e usa uma coroa de búzios.
Nanã Ybain: É a mais temida. Orixá da varíola. Usa cor vermelha, é a principal, come directo na lagoa, dando origem a outros caminhos. Para chamá-la, a ekeji tem que ir batendo com seus otás para fazê-la pegar suas filhas.
Nanã Oporá: Veio de Ketu, coberta de òsun vermelho. É a mãe de Obaluaiyê, ligada a terra, temida, agressiva e irascível.
Nanã Xalá: Muito ligada ao Branco e a Oxalá.
Teremos ainda outros nomes, títulos ou qualidades: Inselè, Sùsùré, Elegbé, Bíodún, ìkúrè, Asaiyó, etc, provavelmente.

Fonte: http://ocandomble.wordpress.com/os-orixas/nana


Lendas de Nanã

Em sua passagem pela Terra, foi a primeira Iyabá e a mais vaidosa, razão pela qual segundo a lenda, desprezou o seu filho primogénito com Oxalá, Omolú, por ter nascido com várias doenças de pele. Não admitindo cuidar de uma criança assim, acabou por o abandonar no pântano. Sabendo disso, Oxalá condenou-a a ter mais filhos, os quais nasceriam todos com alguma deformação física (Oxumaré, Ewá e Ossaim), e baniu-a do reino, ordenando-lhe que fosse viver no mesmo lugar onde abandonou o seu filho, no pântano.
Nanã tornou-se uma das Iyabás mais temidas, tanto que em algumas tribos quando o seu nome era pronunciado, todos se jogavam ao chão. Senhora das doenças cancerígenas, está sempre ao lado do seu filho Omolú. É protectora dos idosos, desabrigados, doentes e deficientes visuais.

Olorun enviou Nana e Oxalá para viverem na Terra e criarem a humanidade. Os dois foram dotados de grandes poderes para desempenharem essa tarefa, mas somente Nana tinha o domínio do reinado dos eguns, e guardava esses segredos, bem como o da geração da vida, em sua cabaça.
Oxalá não se conformava com esta situação, queria poder compartilhar desses segredos. Tentava agradar sua companheira com oferendas para convencê-la a revelar seu conhecimento.
Nana, sentindo-se feliz com as atitudes de Oxalá, decide mostrar-lhe egun, mas apenas ela era reconhecida nesse reinado.
Certa vez, enquanto Nanan trabalhava com a lama, Oxalá, disfarçando-se com as roupas dela, foi visitar egun, sem lhe pedir autorização.
Quando Nanan, sentiu a falta de Oxalá e de sua própria vestimenta, teve certeza de que ele havia invadido o seu reinado, atraiçoando-a gravemente. Enfurecida com a descoberta, resolveu fechar a passagem do mundo proibido, deixando Oxalá preso.
Enquanto isso, Oxalá caminhava no reinado de Nana, tentando descobrir seus mistérios, mas apenas ela conseguia comunicar-se com os eguns.
Egun, sempre envolto em seus panos coloridos, não tinha rosto, nem voz. Oxalá, usando um pedaço de carvão, criou um rosto para ele, como já havia feito com os seres humanos, e, com seu sopro divino, abriu-lhe a fala. Assim, ele conseguiu desvendar os segredos que tanto queria, mas, quando se deu conta, viu que não conseguia achar a saída.
Nana não sabia o que fazer, por isso fechou a passagem para mantê-lo preso até encontrar uma forma de castigá-lo. Contou a Olorun sobre a traição de Oxalá, que não aprovou a atitude de ambos. Nana errou ao revelar a Oxalá os segredos que o próprio Olorun lhe confiara. Para castigá-la, tomou o seu reinado e o entregou a Oxalá, pois ele desempenhara melhor a tarefa de zelar pelo eguns. Oxalá também foi castigado, pois invadiu o domínio de um outro orixá. Daquele dia em diante, Oxalá seria obrigado a usar as roupas brancas de Nanan, cobrindo o seu rosto com um chorão, que somente as iyabás usam.
Dizem que quando Olorum encarregou Osalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, o Òrìsà tentou vários caminhos. Tentou fazer o homem de ar, como ele. Não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu. Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. De pedra, mas ainda a tentativa foi pior. Fez de fogo e o homem se consumiu. Tentou azeite, água e até vinho de palma, e nada. Foi então que Nanã veio em seu socorro e deu a Osalá a lama, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, a lama sob as águas, que é Nanã. Osalá criou o homem, o modelou no barro. Com o sopro de Olorum ele caminhou. Com a ajuda dos òrìsà povoou a Terra. Mas tem um dia que o homem tem que morrer. O seu corpo tem que voltar à terra, voltar à natureza de Nanã. Nanã deu a matéria no começo mas quer de volta no final tudo o que é.

No inicio dos tempos os pântanos cobriam quase toda a terra. Faziam parte do reino de Nanã Buruquê e ela tomava conta de tudo como boa soberana que era. Quando todos os reinos foram divididos por Olorun e entregues aos orixás uns passaram a adentrar nos domínios dos outros e muitas discórdias passaram a ocorrer. E foi dessa época que surgiu esta lenda. Ogum precisava chegar ao outro lado de um grande pântano, lá havia uma séria confusão ocorrendo e sua presença era solicitada com urgência. Resolveu então atravessar o lamaçal para não perder tempo. Ao começar a travessia que seria longa e penosa ouviu atrás de si uma voz autoritária: – Volte já para o seu caminho rapaz! – Era Nanã com sua majestosa figura matriarcal que não admitia contrariedades – Para passar por aqui tem que pedir licença! – Como pedir licença? Sou um guerreiro, preciso chegar ao outro lado urgente. Há um povo inteiro que precisa de mim. -Não me interessa o que você é e sua urgência não me diz respeito. Ou pede licença ou não passa. Aprenda a ter consciência do que é respeito ao alheio. Ogum riu com escárnio: – O que uma velha pode fazer contra alguém jovem e forte como eu? Irei passar e nada me impedirá! Nanã imediatamente deu ordem para que a lama tragasse Ogum para impedir seu avanço. O barro agitou-se e de repente começou a se transformar em grande redemoinho de água e lama. Ogum teve muita dificuldade para se livrar da força imensa que o sugava. Todos seus músculos retesavam-se com a violência do embate. Foram longos minutos de uma luta sufocante. Conseguiu sair, no entanto, não conseguiu avançar e sim voltar para a margem. De lá gritou: -Velha feiticeira, você é forte não nego, porém também tenho poderes. Encherei esse barro que chamas de reino com metais pontiagudos e nem você conseguirá atravessa-lo sem que suas carnes sejam totalmente dilaceradas. E assim fez. O enorme pântano transformou-se em uma floresta de facas e espadas que não permitiriam a passagem de mais ninguém. Desse dia em diante Nanã aboliu de suas terras o uso de metais de qualquer espécie. Ficou furiosa por perder parte de seu domínio, mas intimamente orgulhava-se de seu trunfo: – Ogum não passou!

OSSAIM



Originalmente dono dos segredos da natureza, patrono da farmácia, dos sacerdotes, químicos que usam plantas para fins curativos e ritualísticos.

Protetor dos vegetais.

OSSAIM é um mago, de toca vermelha, pitando seu fumo.

Cheio do espírito da aventura, auto-confiança e força de vontade.

No interior da mata virgem extrai seu axé, e os usa de acordo com seus objetivos.

Orixá calmo, mestre de tranqüilidade e da resistência.

Prefere ficar trabalhando nos bastidores.

Muito esperto, comunicativo, fascinado pela ação.

Orixá provedor da família e da aldeia, seu coração sempre tem que fazer escolhas, sente que não pode mais esperar por auxílio externo,tem que buscar forças dentro de si próprio para assumir a responsabilidade pelas próprias decisões e resultados.

Os filhos de OSSAIM são de natureza alegre, gostam de caminhadas.

Valentes, não medem o perigo que se apresenta, jamais recuam diante das adversidades.

Moderados em quase tudo, sabem gozar da riqueza quando possuem.

Alegres e fanfarrões,mas sua maneira de falar fere profundamente.

Hábeis em descobrir pontos fracos dos outros, mas zangam-se quando descobrem a seu.

Sendo pessoas algariadas estão propensas a problemas de administração financeira, apesar de prudentes e obstinados em nutrição.

Por serem um pouco irritadiços adquirem problemas e dor de cabeça, de vesícula, e na idade madura tendência a obesidade.

SETE CAPA PRETA: Ligado a Ossaim, atua na alta magia, no ocultismo.Protege atos obscuros principalmente que envolva dinheiro, valores, jóias.





RESUMINDO... OSSAIM

É o senhor absoluto das vegetações. Orixá das folhas e de suas aplicações litúrgicas e toda composição mágica do candomblé.

Nada se faz sem OSSAIM, ele é o detentor da força do axé indispensável para as divindades.

Foi OSSAIM quem ensinou a IFÁ a arte de curar.

É sempre evocado quando as coisas não vão bem.

É o senhor da magia e da medicina, como BARÁ ele é companheiro indispensável de ORUMILÁ.

Portador essencialmente de energias cósmicas que conferem ao ser humano o maravilhoso poder de raciocínio bom senso, discernimento, determinação, engenhosidade acentuada, tendência a pesquisa ou inverso: indecisão, irreflexão, falta de clareza mental, ciúme excessivo. De constituição física mais frágil, saúde delicada e com a idade pode tornar-se aleijado e obeso. Temperamento secreto, sonhador, esquisito, desligado. São dados ao estudos, reflexão, são tolerantes, mas preservam a sua liberdade.



Frase de impacto kétu: òsónyìn o!jé ewé ó jé o òsónyìn o!jé oógún ó jé o> Ossaim ,permita que a folha faça seu efeito. OSSAIM, permita que a medicina produza efeito



ELEMENTO> terra +

NATUREZA> floresta

EMBLEMA>folhas de café com frutos

BEBIDA> vinho tinto

FLORES> todas

FRUTAS> todas

METAL> ferro, prata, estanho

DOENÇAS>aids, doenças nos membros inferiores, nos ligamentos.

COME> Cágado, bode, galo, pombo.

DIA> segunda--feira, quarta-feira, quinta--feira, sexta-feira.

CORES> verde e branco, verde e preto, verde.

NÚMERO> 7

Saudação> Eu Eu

Ferramenta> Muleta, lança, bisturi.
IEMANJÁ

IEMANJÁ

Deusa da nação de Egbé, nação esta Ioruba onde existe o rio Yemojá (Iemanjá). No Brasil, rainha das águas e mares. Orixá muito respeitada e cultuada é tida como mãe de quase todos os Orixás. Por isso a ela também pertence a fecundidade.

Em todos os lugares, no dia 2 de fevereiro ou no ano novo fazem-se homenagens a grande mãe Iemanjá. É protetora dos pecadores e jangadeiros.


O ARQUÉTIPO DOS FILHOS DE IEMANJÁ

As pessoas de Iemanjá são sérias e impetuosas, domina a todos e fazem-se respeitar. Dificilmente perdoam os erros dos semelhantes. Gostam de testar as pessoas.

Seu temperamento é muito difícil, são bravas, nervosas, mas possuem um coração grandioso, são dedicados aos parentes e amigos, preocupam-se com os outros e consigo. Gostam de coisas luxuosas. São honestas, gostam da casa e da família, são ótimas esposas, mães ou pais.
LENDA

Iemanjá era filha de Olokum, deus (em Benim) ou deusa (em Ifé) do mar. Iemanjá foi casada com Orumila, deus da adivinhação mais tarde casou dom Olofin, Rei de Ifé, com que teve dez filhos, que correspondem a Orixás.

Iemanjá foge em direção a oeste, pois se cansara de Ifé. Olokum lhe dera uma garrafa contendo um preparado para usar se precisasse, ela deveria quebrar somente em caso de extremo perigo.

Iemanjá foi viver no entardecer da terra, o oeste Olofin Odùduà, Rei de Ifé, põe todo o seu exército a procura de sua mulher. Iemanjá cercada resolve quebrar a garrafa conforme lhe foi dito. No mesmo instante criou-se um rio levando Iemanjá para Okun, o oceano, lugar onde vive Olokun.

Por isso Iemanjá é representada na imagem com grandes seios, simbolizando a maternidade e a fecundidade.

África

Na Mitologia Yoruba, o nome Oyá provém do rio de mesmo nome na Nigéria, onde seu culto é realizado, atualmente chamado de rio Níger. É uma divindade das águas como Oxum e Iemanjá, mas também é relacionada ao elemento ar, sendo uma das divindades que controla os ventos. Costuma ser reverenciada antes de Xangô, como o vento personificado que precede a tempestade que é uma das representações do Orixá do Fogo. Assim como a Orixá Obá, Oyá também está relacionada ao culto dos mortos, onde recebeu de Xangô a incumbência de guiá-los a um dos nove céus de acordo com suas ações, para assumir tal cargo recebeu do feiticeiro Oxóssi uma espécie de erukê especial chamado de Eruexim com o qual estaria protegida dos Eguns. O nome Iansã trata-se de um título que Oyá recebeu de Xangô que faz referência ao entardecer, Iansã=A mãe do céu rosado ou A mãe do entardecer. Era como ele a chamava pois dizia que ela era radiante como o entardecer.
Os nove céus são:
Orun Alàáfià. Espaço de muita paz e tranquilidade, reservado para pessoas de gênio brando, ou índole pacífica, bondosa, pacata.
Orun Funfun. Reservado para os inocentes, sinceros, que tenha pureza de sentimento, pureza de intenções.
Orun Bàbá Eni. Reservado para os grandes sacerdotes e sacerdotisas, Babalorixás, yalorixás, Ogans, Ekedes, etc.
Orun Aféfé. Local de oportunidades e correção para os espíritos, possibilidades de reencarnação, volta ao Aiye.
Orun Ìsòlú ou Àsàlú. Local de julgamento por olodumare para decidir qual dos respectivos oruns o espírito será dirigido.
Orun Àpáàdì. Reservado para os espíritos impossíveis de ser reparados.
Orun Rere. Espaço reservado para aqueles que foram bons durante a vida.
Orun Burúkú. Espaço ruim, ibonan "quente como pimenta", reservado para as pessoas más.
Orun Mare. Espaço para aqueles que permanecem, tem autoridade absoluta sobre tudo o que há no céu e na terra e são incomparáveis e absolutamente perfeitos, os supremos em qualidades e feitos, reservado à Olodumare, olorun e todos os orixás e divinizados.
Os africanos costumam saudá-la antes das tempestades pedindo a ela que apazigue Xangô o Orixá dos trovões, raios e tempestades pedindo clemência.
Oferendas: àkàrà ou acarajé, ekuru e abará.

[editar]Brasil

Os devotos costumam lhe oferecer sua comida favorita, o àkàrà (acarajé), ekuru e abará.
No candomblé a cor utilizada para representá-la é o marrom, ainda que seja mais identificada com a cor Rosa. No Brasil houve uma grande distorção com relação as suas regências e origens. Inhansã ou Oiá, como é também chamada no Brasil, é uma divindade da Mitologia Yoruba associada aos vento e as águas, sendo mulher de Xangô, o senhor dos raios e tempestades.
É saudada como "Iya mesan lorun", título referente a incumbência recebida como guia dos mortos. Iansã é associada a sensualidade, dos Orixás femininos é uma das mais guerreiras e imponentes.

[editar]Qualidade de Oya

Antes de qualquer coisa,devemos estar todos cientes de que não existem qualidades de Orixá e com Oyá também não é diferente, o que se segue são alguns títulos.
Oya Igbale - Na realidade não existe, seria essa Iansã ,ligadas ao culto dos mortos, quando dança parece guiar as almas errantes com seus braços, mas essa função é realizada por toda Iansã e a palavra Igbalé quer dizer varrer a Terra, fato esse que se relaciona ao fato de Iansã ser uma das divindades dos ventos, em suma, que varre a Terra, assim como o Orixá Afefê
Oya igbale
1 Oyà Gbale Funán
2 Oyà Gbale Fure
3 Oyà Gbale Guere
4 Oyà Gbale Toningbe
5 Oyà Gbale Fakarebo
6 Oyà Gbale De
7 Oyà Gbale Min
8 Oyà Gbale Lario
9 Oyà Gbale Adagangbará
Oya Kala
Oya Akolasun
Oya Basun
Oya Pada
Oya Funan
Oya Sonan
Oya Jebe
Oya Tanan
Oya Nita
Oya Oníra
Oyà Biniká
Oyà Seno
Oyà Abomi
Oyà Gunán
Oyà Bagán
Oyà Kodun
Oya Maganbelle
Oyà Bagbure
Oyà Tope
Oyà Egunità
Oyà Sayò
Oyá LogunEré

[editar]Símbolos
Saudação: Epa - hei,Oia!
Dia: Quarta-feira.
Cores: Marrom, vermelho, rosa e branco.
Símbolos: irukerê, espada de cobre.
Proibições: Abóbora, arraia e carneiro.

Sete folhas mais usadas para Oya
Botujé
Ewê diji
Okpá orô
Ewê mensã
Tanaposó
Akoko
[editar]Arquétipo
Suas filhas, ou mulheres que tenham Iansã póximo de si (como madrinha por exemplo ou "mãe") aqui na Terra, são mulheres sensuais, ousadas, falam o que pensam e sofrem muito, seja por qualquer motivo, especialmente no amor. São mulheres que batalham, trabalham incansavelmente, são guerreiras, lutam como peões. Geralmente esas mulheres cuidam de tudo sozinha, até dos filhos.
[editar]Ofó Oyá
E ma odò, e ma odò
Eu vou ao rio, eu vou ao rio
Lagbó lagbó méje
Do seu modo encontrado nos arbustos reparte em sete
O dundun a soro
Vós que fala através do Dundun
Balè hey.
Tocando o solo te saúdo.

O OLUBAJÉ MANTER O EQUILIBRIO PARA TODOS OS FILHOS E DO ILÉ ÀSE E TODOS AQUELE QUE PARTICIPAM .




ESPECIAL DE AGOSTO: O sentido do Olubajé é de prolongar a vida e trazer saúde a todos os filhos e participantes do axé.


O Olugbajé é a festa anual em homenagem a Obaluayê, onde as comidas são servidas na folha de mamona.




Rememorando um itan (mito) onde todos os Orixás para se acertarem com Obaluaiyê, por motivos de ter sido chacoteado numa festividade feita por Xangô por sua maneira de dançar.

Nessa festividade, todos os Orixás participam, com exceção de Xangô.

Iroko, Osanyin, Oxumarê, Nanã, Yewá e Yassessú sua mãe de criação ou melhor toda sua família vem ao grande banquete do Rei da Terra !

Oyá tem papel importante por ser ela que ajuda no ritual de limpeza e trazer para o barracão de festas a esteira, sobre a qual serão colocadas as comidas.


Olubajé é ritual especifico para o orixá Obaluayê, indispensável nos terreiros de candomblé, no sentido de prolongar a vida e trazer saúde a todos os filhos e participantes do axé.

No encerramento deste rito é oferecido no mínimo nove iguarias da culinária afro-brasileira chamada de comida ritual pertinente a vários Orixás, simbolizando a Vida, sobre uma folha chamada "Ewe Ilará" conhecida popularmente como mamona assassina, "altamente venenosa" simbolizando a Morte (iku).

AXEXÊ -RITO FÚNEBRE (CANDOMBLÉ)

1) Fase preparatória:

Desde que o falecimento de uma adósù do “terreiro” é conhecido, procede-se a levantar um pequeno recinto provisório, coberto de folhas de palmeira, junto ao Ilé-ibo-akú.

A Iyálàse, secundada por outra sacerdotisa, procede ao levantamento ritual dos “assentos” individuais pertencentes à falecida assim como todos seus objetos sagrados e tudo é depositado no chão no recinto provisório, distante dos Ilé-orixá. As quartinhas que continham água são esvaziadas e emborcadas.

2) Axexé os cincos primeiros dias:

O ritual Axexé dura sete dias consecutivos. Durante os cincos primeiros dias as mesmas cerimônia se repete exatamente, segundo a seguinte seqüência:

a) Todos os membros do egbé, rigorosamente vestidos de branco, reúnem-se, no barracão, ao pôr-do-sol, para celebrar o Padê tal qual o descreveremos. No inicio, o espírito do morto é invocado junto com Exú e todas as entidades.

b) Terminado de cantar o Padê, o egbé coloca-se em volta da cuia vazia que ocupa o centro da sala, deixando sempre uma passagem de saída para o exterior. Neste momento, um dos sacerdotes, encarregados do ritual que se vai desenrolar no Ilé-akú e no recinto exterior onde foram depositados os “assentos” e os objetos da falecida, traz uma vela, coloca-a ao lado da cuia e ascende.

c) Todos os que estão presentes enrolam suas cabeças com torços brancos e cobrem cuidadosamente o corpo com um grande oja branco. No momento em que se ascende a vela, supõe-se que o espírito do morto se encontre na sala representado pela cuia. Um logo rito vai desenrola-se, começando pela Iyálorixa, seguida em ordem hierárquica por cada uma sacerdotisa de grau elevado e finalmente por um grupo de dois a dois das noviças.

Cada uma saúda o exterior, a cuia os presentes e dança em volta da cuia colocando moedas que passam previamente por sua cabeça, delegando sua própria pessoa ao morto. Ao mesmo tempo despede-se do morto, com cantigas apropriadas. A primeira cantiga entoada pela Iyálorixa é uma reverensa a todos os Axexé que, como dissemos, são os primeiros ancestrais da criação, o começo e a origem do universo, de uma linguagem, de uma linhagem, de uma família, de um “terreiro”. A venerável morta a Adosun que merece essa cerimônia e é seu objeto converter-se-á também num Axexé.

A Iyalase saúda: Axexé, Axexé o!; 1. Axexé, mo juga; Axexé, Axexé o!; 2. Axexé o ku Agbà o!; Axexé, Axexé o!; 3. Axexé, érù ku Àgbà o!; Axexé, Axexé o!

Tradução: Axexé oh! Axexé; Axexé eu lhe apresento meus humildes respeitos oh!;

Axexé oh! Axexé; Axexé eu venero e saúdo os mais antigos, oh!; Axexé oh! Axexé;

Axexé a escrava saúda os mais antigos, oh!; Axexé oh! Axexé.

É o seguinte o texto da Segunda cantiga: Bibi bibi lo bi wá; Ode Arolé lo.

Tradução: Nascimento do nascimento que nos trouxe Ode Arolé (Òsôsi) nos trouxe ao mundo.

Saudando particularmente Oxossi que, como já dissemos, é o ancestre mítico fundador dos “terreiros” Ketu e consequentemente, Axexé do filhos do “terreiro”.

Todos os presentes estão obrigados a despedir-se do morto e delegar-se nele por meio das moedas que colocam na cuia-emissario.

d) Quando todo os presentes protestaram suas homenagens e despediram-se do morto, formam uma roda e todo o egbé e os parentes do morto entoam, entre outras, a cantiga:

Ò tó ‘rù egbé ma sokún omo ò tó ‘rù egbé ma sokún omo égun ko gbe eyin o!

Ekikan ejare àgbà Orixá gbe ni másè ekikan esin enia niyi r’òrun

Tradução: Ele alcançou o tempo (de converter-se) no érù egbé (o carrego que representa o egbé). Não chore, filho. Oficiante do rito, não chore.

Alcançou o tempo (de converter-se) no carrego (no representante) do egbé.

Não chore, filho. Que Égun nos proteja a todos!

Proclamai o que é justo. Que Àgbà Orixá nos proteja a todos!

Proclamai (que) foi enterrado um dos seus, que foi para o òrun.

(isto quer dizer, falai alto, com justa razão, porque enterram alguém venerável que irá ao òrun).

A roda se desfaz e cada um volta para seu lugar.

e) algumas adósù trazem vasilhas com comidas especialmente preparadas para essa ocasião e as colocam ao lado da cuia. Junto também é colocado um obì.

f) Os sacerdotes vêm e levantam ritualmente a cuia cheia de moedas, apagam a vela e transportam tudo, também obì. e as comidas, para o recinto especial exterior, onde tudo é colocado junto aos objetos que pertenceram ao morto.

g) Os membros do egbé na sala, descobrem suas cabeças, enrolam o pano branco por de baixo dos braços e formam uma Segunda roda, saudando e homenageando os orixás. Acaba essa parte da cerimônia, eles se cobrem novamente e continuam a roda cantando uma última cantiga de adeus ao morto.

3) Axexé: sexto e sétimo dias:

o ritual do sexto e sétimo dias é o ponto culminante do ciclo. No crepúsculo canta-se o Padê e continua-se como nos dias precedentes até a fase. Seguem-se os seguintes ritos:

a) Ao pé das comidas e do obì colocam-se, ao lado da cuia, os animais que vão ser oferecidos de acordo com o asé do morto.

b) Um sacerdote vem do exterior e põe no punho esquerdo de todos os assistentes pequenas tiras de màrìwò. É isso que os identifica como filhos do “terreiro” e os protege.

c) Os membros do egbé retomam seus lugares e esperam ser avisados do fim do rito que se desenrola do Ilé-ibo.

d) Nesse meio tempo, os sacerdotes preparam o chamado final do morto. Trazem tudo, “assentos”, objetos pertencentes ao morto, cuia, comidas e animais para o Ilé-ibo-akú. Traçam no solo de barro batido um pequeno círculo com areia e por cima, um círculo com cada uma das três cores símbolos. É um ojúbo provisório, em que se invoca o morto.

No meio dele, parte-se o obì e, com seus segmentos, consulta-se o oráculo sobre a destinação a ser dada a cada um dos objetos e “assentos” do morto. Se trata de uma sacerdotisa de grau elevado, às vezes acontece que o “assento” de seu orixá fique no “terreiro” para ser adorado, com a condição de que o morto, consultado, esteja de acordo.

Também pode querer deixar alguns objetos de uso pessoal, determinadas jóias ou emblema a um parente ou a uma irmã do “terreiro”. O resto, o que o morto não deixa para ninguém, em especial seu Bara, seu Ìpòrí, é posto em volta do pequeno círculo assim como as três vasilhas novas de barro, que descreveremos falando do “assento” dos Égun das adósù. Se o morto pertence à cúpula do “terreiro” ou possui méritos excepcionais, as três vasilhas são separadas para se proceder mais tarde a seu “assentamento” no Ilé-ibo-akú. Caso contrário, que é a maioria, as três vasilhas são colocadas junto aos que circundam o círculo-ojúbo. O sacerdote do grau mais elevado invoca o morto três vezes, batendo no solo com um ìsan novo preparado com uma grossa tala de palmeira. Invoca-se para que venha apanhar seu carrego, para que leve e se separe para sempre do egbé e do “terreiro”.

Insiste-se e, na terceira invocação, o morto responde e simultaneamente tudo é destruído, quebrado com ìsan, rasgando-se vestimentas e colares. Os animais são imolados e colocados por cima dos restos destruídos, onde se coloca partes das moedas que se esparramaram ao quebrar a cuia, e os màrìwò que, retirados dos punhos irão juntos com os despojos do morto.

Coloca-se por cima o punhado de terra, com a areia e as três substâncias cores recolhidas oportunamente. Um grande carrego é preparado: é o erù e sacerdotes levarão a perigosa carga especificado pelo oráculo para que Exu e Eleru disponha dele.

e) Um sacerdote previne o egbé que, em silêncio, esperava na sala. Todos se levantam a saída do erù-ikù:

Gbe ‘rú le mã lo a fi bo

Tradução: o carrego da casa está saindo cubram-nos.

f) Todos os participantes esperam em silêncio a volta dos sacerdotes que, ao seu regresso, irão, em primeiro lugar, prestar conta de sua missão aos ancestrais no Ilé-ibo-akú. Em seguida, virão à sala para comunicar o feliz término de sua missão.

O egbé forma uma roda, canta saudando os orixás, e dois cantos finais despedindo-se do morto.

Iku o! Iku o gbe lo o gbe, dide k’ o jo eku o! òdigbõse o!

Oh! Morte, morte o levou consigo ele partiu, levantem-se e dancem, nós o saudamos! Adeus!

No entardecer do sétimo dia, canta-se o Padê de encerramento e, em seguida, procede-se ao sacudimento, isto é, a lavar, varrer e sacudir todos os Ilé e a sala, com ramos de folhas especiais.

O asé da adósù passou a integrar o do “terreiro”. Se a pessoa falecida é a Iyálàse, deverá proceder-se a “retirar” sua mão de todos os objetos, todos os borí, celebrada pela Iyálàse substituta. Durante esse rito, ela pousará a mão sobre o orí de cada um dos membros do egbé, transferindo-lhes seu próprio asé.

Se o grau da adósù falecida o permite, e se a resposta do oráculo o confirma, uma vez preparado o carrego, o ibo desta será preparado ritualmente com três vasilhas novas de barro.

Um àpéré especialmente aprontado com uma combinação de folhas apropriadas é colocado diretamente sobre a terra no Ilé-ibo no lugar em que será implantado o “assento” formado com três recipientes; coloca-se junto uma quartinha com água e tudo é recoberto com um pano branco.

Cumprindo um ano, uma oferenda espacial será feita e a sacerdotisa falecida passará a fazer parte dos mortos e dos ancestrais venerados no Ilé-ibo-akú, Axexé protetores do “terreiro”.

Uma cantiga entoada na terra Yorùbá diz:

Ìyá mi, Axexé!; ba mi, Axexé!; Olórun un mi Axexé o o! ki ntoo bò orixá à è.

Tradução: Minha mãe é minha origem!; Meu pai é minha origem!; Olórun é minha origem!; Consequentemente, adorarei minhas origens antes de qualquer outro orixá.

E no “terreiro” invoca-se: Gbogbo Axexé tinu ara.

Todos (o conjunto dos) Axexé no interior de nosso corpo…(do “terreiro”).

Se Axexé, não há começo, não há existência. O Axexé é a origem e, ao tempo, o morto, a passagem da existência individual do àiyé à existência genérica do òrun. Não há nenhuma confusão entre a realidade do àiyé – o morto – e seu símbolo o seu doble no òrun – o Égun. Há um consenso social, uma aceitação coletiva que permite transferir, representar e simultânea do àiyé e do òrun, a vida e da morte.

O asé integrado pelos três princípios-símbolos e veiculado pelo princípio de vida individual manterá em atividade a engrenagem complexa do sistema e, através da ação ritual, propulsionará as transformações sucessivas e o eterno renascimento.

AXEXÊ ONDE TUDO COMEÇA.

AXEXÊ


Tradição e tendências recentes dos ritos funerários no candomblé


Reginaldo Prandi

Professor Titular de Sociologia

da Universidade de São Paulo


[Texto publicado no livro Faraimará - o caçador traz alegria, organizado por Cléo Martins e Raul Lody. Rio de Janeiro, Pallas, 2000, págs. 174-184.]



Nas mais diferentes culturas, a concepção religiosa da morte está contida na própria concepção da vida e ambas não se separam. Os iorubás e outros grupos africanos que formaram a base cultural das religiões afro-brasileiras acreditam que a vida e a morte alternam-se em ciclos, de tal modo que o morto volta ao mundo dos vivos, reencarnando-se num novo membro da própria família. São muitos os nomes iorubás que exprimem exatamente esse retorno, como Babatundê, que quer dizer O-pai-está-de-volta.

Para os iorubás, existe um mundo em que vivem os homens em contato com a natureza, o nosso mundo dos vivos, que eles chamam de aiê, e um mundo sobrenatural, onde estão os orixás, outras divindades e espíritos, e para onde vão os que morrem, mundo que eles chamam de orum. Quando alguém morre no aiê, seu espírito, ou uma parte dele, vai para o orum, de onde pode retornar ao aiê nascendo de novo. Todos os homens, mulheres e crianças vão para um mesmo lugar, não existindo a idéia de punição ou prêmio após a morte e, por conseguinte, inexistindo as noções de céu, inferno e purgatório nos moldes da tradição ocidental-cristã. Não há julgamento após a morte e os espíritos retornam à vida no aiê tão logo possam, pois o ideal é o mundo dos vivos, o bom é viver. Os espíritos dos mortos ilustres (reis, heróis, grandes sacerdotes, fundadores de cidades e de linhagens) são cultuados e se manifestam nos festivais de egungum no corpo de sacerdotes mascarados, quando então transitam entre os humanos, julgando suas faltas e resolvendo as contendas e pendências de interesse da comunidade.

O papel do ancestral egungum no controle da moralidade do grupo e na manutenção do equilíbrio social através da solução de pendências e disputas pessoais, infelizmente, não se reproduziu no Brasil. Embora o culto ao egungum tenha sido reconstituído na Bahia em uns poucos terreiros especializados, o candomblé de egungum da ilha de Itaparica (Braga, 1992), mais tarde também presente na cidade de Salvador e em São Paulo, está muito distante da prática diária dos candomblés de orixás e praticamente divorciados da vida na sociedade profana, perdendo completamente as funções sociais africanas originais, de tal modo que a religião africana no Brasil, disseminada pelos terreiros de orixás, acabou por se constituir numa religião estritamente ritual, uma religião a-ética, uma vez que seus componentes institucionais de orientação valorativa e controle do comportamento em face de uma moralidade coletiva exercitada nos festivais dos antepassados egunguns ausentaram-se completamente da vida cotidiana dos seguidores da religião dos orixás.

O ideal iorubá do renascimento é as vezes tão extremamente exagerado, que alguns espíritos nascem e em seguida morrem somente pelo prazer de rapidamente poder nascer de novo. São os chamados abicus (literalmente, nascido para morrer), que explicam na cultura iorubá tradicional as elevadas taxas de mortalidade infantil. Em geral, um abicu renasce seguidamente do útero da mesma mãe. Quando uma criança é identificada como sendo um abicu, muitos são os ritos ministrados para impedir sua morte prematura. Assim como a sociedade Egungum cultua os antepassados masculinos do grupo (Babayemi, 1980), outra sociedade de mascarados, a sociedade Gueledé, celebra a mães ancestrais, às quais cabe também zelar pela saúde e vida das crianças, inclusive os abicus (Lawal, 1996). Os festivais Gueledé não sobreviveram no Brasil (segundo o Professor Agenor Miranda Rocha, em conseqüência de disputas, no começo do século, entre lideranças do candomblé da Casa Branca do Engenho Velho, que provocaram a cisão do grupo e fundação do Axé Opô Afonjá por Mãe Aninha Obá Bií). Também não sobreviveu integralmente a idéia de abicu e o termo passou a designar, em muitos candomblés, as pessoas que são consideradas como tendo nascido já iniciadas para o orixá a que pertencem, não devendo, assim, ser raspadas, como devem ser os demais que se iniciam na religião. A maneira fragmentária como a religião africana foi se reconstituindo no Brasil implicou, claramente, em acentuadas mudanças nos conceitos de vida e morte, mudanças que vão afetar o sentido de certas práticas rituais, especialmente quando sofrem a concorrência de ritos católicos e de concepções ensinada pela Igreja.

A tradição cristã ensina que o ser humano é composto de corpo material e espírito indivisível, a alma. Na concepção iorubá, existe também a idéia do corpo material, que eles chamam de ara, o qual com a morte decompõe-se e é reintegrado à natureza, mas, em contrapartida, a parte espiritual é formada de várias unidades reunidas, cada uma com existência própria. As unidades principais da parte espiritual são 1) o sopro vital ou emi, 2) a personalidade-destino ou ori, 3) identidade sobrenatural ou identidade de origem que liga a pessoa à natureza, ou seja, o orixá pessoal e 4) o espírito propriamente dito ou egum. Cada parte destas precisa ser integrada no todo que forma a pessoa durante a vida, tendo cada uma delas um destino diferente após a morte. O emi, sopro vital que vem de Olorum e que está representado pela respiração, abandona na hora da morte o corpo material, fabricado por Oxalá, sendo reincorporado à massa coletiva que contém o princípio genérico e inesgotável da vida, força vital cósmica do deus-primordial Olodumare-Olorum. O emi nunca se perde e é constantemente reutilizado. O ori, que nós chamamos de cabeça e que contém a individualidade e o destino, desaparece com a morte, pois é único e pessoal, de modo que ninguém herda o destino de outro. Cada vida será diferente, mesmo com a reencarnação. O orixá individual, que define a origem mítica de cada pessoa, suas potencialidades e tabus, origem que não é a mesma para todos, como ocorre na tradição judaico-cristã (segundo a qual todos vêm de um único e mesmo deus-pai), retorna com a morte ao orixá geral, do qual é uma parte infinitésima. Finalmente, o egum, que é a própria memória do vivo em sua passagem pelo aiê, que representa a plena identidade e a ligação social, biográfica e concreta com a comunidade, vai para o orum, podendo daí retornar, renascendo no seio da própria família biológica. Quando se trata de alguém ilustre, os vivos podem cultuar sua memória, que pode ser invocada através de um altar ou assentamento preparado para o egum, o espírito do morto, como se faz com os orixás e outras entidades espirituais. Sacrifícios votivos são oferecidos ao egum que integra a linhagem dos ancestrais da família ou da comunidade mais ampla. Representam as raízes daquele grupo e são a base da identidade coletiva.

Na África tradicional, dias depois do nascimento da criança iorubá, realiza-se a cerimônia de dar o nome, denominada ekomojadê, quando o babalaô consulta o oráculo para desvendar a origem da criança. É quando se sabe, por exemplo, se se trata de um ente querido renascido. Os nomes iorubás sempre designam a origem mítica da pessoa, que pode referir-se ao seu orixá pessoal, geralmente o orixá da família, determinado patrilinearmente, ou à condição em que se deu o nascimento, tipo de gestação e parto, sua posição na seqüência dos irmãos, quando se trata, por exemplo daquele que nasce depois de gêmeos, a própria condição de abicu e assim por diante. A partir do momento do nome, desencadeia-se uma sucessão de ritos de passagem associados não só aos papéis sociais, como a entrada na idade adulta e o casamento, mas também à própria construção da pessoa, que se dá através da integração, em diferentes momentos da vida, dos múltiplos componentes do espírito. Com a morte, estes ritos são refeitos, agora com a intenção de liberar essas unidades espiritiais, de modo que cada uma deles chegue ao destino certo, restituindo-se, assim, o equilíbrio rompido com a morte.

No Brasil, nas comunidades de candomblé e demais denominações religiosas afro-brasileiras que seguem mais de perto a tradição herdada da África, a morte de um iniciado implica a realização de ritos funerários. O rito fúnebre é denominado axexê na nação queto, tambor de choro nas nações mina-jeje e mina-nagô, sirrum na nação jeje-mahim e no batuque, ntambi ou mukundu na nação angola, tendo como principais fins os seguintes: 1) desfazer o assentamento do ori, que é fixado e cultuado na cerimônia do bori, cerimônia que precede o culto do próprio orixá pessoal; 2) desfazer os vínculos com o orixá pessoal para o qual aquele homem ou mulher foi iniciado, o que significa também desfazer os vínculos com toda a comunidade do terreiro, incluindo os ascendentes (mãe e pai-de-santo), os descendentes (filhos-de-santo) e parentes-de-santo colaterais; e 3) despachar o egum do morto, para que ele deixe o aiê e vá para o orum. Como cada iniciado passa por ritos e etapas iniciáticas ao longo de toda a vida, os ritos funerários serão tão mais complexos quanto mais tempo de iniciação o morto tiver, ou seja, quanto mais vínculos com o aiê tiverem que ser cortado (Santos, 1976). Mesmo o vínculo com o orixá, divindade que faz parte do orum, representa uma ligação com o aiê, pois o assentamento do orixá é material e existe no aiê, como representação de sua existência no orum, ou mundo paralelo. Mesmo um abiã, o postulante que está começando sua vida no terreiro e que já fez o seu bori, tem laços a cortar, pois seu assento de ori precisa ser despachado, evidentemente numa cerimônia mais simples.

Em resumo, podemos dizer que a seqüência iniciática por que passa um membro do candomblé, xangô, batuque ou tambor de mina (bori, feitura de orixá, obrigações de um, três e cinco anos, decá no sétimo ano, obrigações subseqüentes a cada sete anos) representa aprofundamento e ampliação de laços religiosos, quando novas responsabilidades e prerrogativas vão se acumulando: com a mãe ou pai-de-santo, com a comunidade do terreiro, com filhos-de-santo, com o conjunto mais amplo do povo-de-santo etc. Com a morte, tais vínculos devem ser desfeitos, liberando o espírito, o egum, das obrigações para com o mundo do aiê, inclusive a religião. O rito funerário é, pois, o desfazer de laços e compromissos e a liberação das partes espirituais que constituem a pessoa. Não é de se admirar que, simbolizando a própria ruptura que tal cerimônia representa, os objetos sagrados do morto são desfeitos, desagregados, quebrados, partidos e despachados.

O termo axexê, que designa os ritos funerários do candomblé de nação queto e outras variantes de origem iorubá e fom-iorubá, ou jeje-nagô, como são mais conhecidas, é provavelmente uma corruptela da palavra iorubá àjèjé. Em terras iorubás, por ocasião da morte de um caçador, era costume matar-se um antílope ou outra caça de quatro pés como etapa do rito fúnebre. Uma parte do animal era comida pelos parentes e amigos do morto, reunidos em festa em homenagem ao defunto, enquanto a outra parte era levada ao mato e oferecida ao espírito do falecido caçador. Juntamente com a carne do animal, depositavam-se na mata os instrumentos de caça do morto. A este ebó dava-se o nome de àjèjé (Abraham, 1962: 38). O axexê que se realiza no candomblé brasileiro pode ser pensado como um grande ebó, com a oferenda, entre outras coisas, de carne sacrificial ao espírito do morto, e no qual se juntam seus objetos rituais.

Sendo o candomblé uma religião de transe, várias divindades participam ativamente do rito funerário, especialmente os orixás associados à morte e aos mortos, ocupando Oiá ou Iansã lugar de destaque. Iansã é considerada o orixá encarregado de levar os mortos para o orum, atribuindo-se a ela o patronato do axexê, conforme mito narrado por Mãe Stella Odé Kaiodé, ialorixá do Axé Opô Afonjá, que resume bem a idéia do axexê como cerimônia de homenagem ao morto.

Assim diz o mito:

Vivia em terras de Queto um caçador chamado Odulecê.
Era o líder de todos os caçadores.
Ele tomou por sua filha uma menina nascida em Irá,
que por seus modos espertos e ligeiros foi conhecida por Oiá.
Oiá tornou-se logo a predileta do velho caçador,
conquistando um lugar de destaque entre aquele povo.
Mas um dia a morte levou Odulecê, deixando Oiá muito triste.
A jovem pensou numa forma de homenagear o seu pai adotivo.
Reuniu todos os instrumentos de caça de Odulecê
e enrolou-os num pano.
Também preparou todas as iguarias que ele tanto gostava de saborear.
Dançou e cantou por sete dias,
espalhando por toda parte, com seu vento, o seu canto,
fazendo com que se reunissem no local todos os caçadores da terra.
Na sétima noite, acompanhada dos caçadores,
Oiá embrenhou-se mata adentro
e depositou ao pé de uma árvore sagrada
os pertences de Odulecê.
Nesse instante, o pássaro "agbé" partiu num vôo sagrado.
Olorum, que tudo via,
emocionou-se com o gesto de Oiá-Iansã
e deu-lhe o poder de ser a guia dos mortos
em sua viagem para o Orum.
Transformou Odulecê em orixá
e Oiá na mãe dos espaços sagrados.
A partir de então, todo aquele que morre
tem seu espírito levado ao Orum por Oiá.
Antes porém deve ser homenageado por seus entes queridos,
numa festa com comidas, canto e dança.
Nascia, assim, o ritual do axexê. (Santos, 1993: 91).
Também participam do axexê os orixás Nanã, Euá, Omulu, Oxumarê, Ogum e eventualmente Obá, não se incluindo, contudo, nesta lista Xangô, que dizem ter pavor de egum, conforme narram outros mitos.

A seqüência do axexê começa imediatamente após a morte, quando o cadáver é manuseado pelos sacerdotes para se retirar da cabeça a marca simbólica da presença do orixá, implantada no alto do crânio raspado durante a feitura, através do oxo, cone preparado com obi mascado e outros ingredientes e fixado no coro cabeludo sobre incisões rituais. O cabelo nesta região da cabeça é retirado e o crânio lavado com amassi (preparado de folhas) e água. Esta lavagem da cabeça inverte simbolicamente o primeiro rito iniciático, quando as contas e a cabeça do novo devoto são igualmente lavadas pela mãe-de-santo. O líquido da lavagem é o primeiro elemento que fará parte do grande despacho do morto.

Depois do enterro, tem início a organização do axexê propriamente dito. Ele varia de terreiro para terreiro e de nação para nação. É mais elaborado quando se trata de altos dignitários e depende das posses materiais da família do morto. Genericamente conserva os procedimentos básicos de inversão da iniciação, havendo sempre: 1) música, canto e dança, 2) transe, com a presença pelo menos de Iansã incorporada, 3) sacrifício e oferendas variadas ao egum e orixás ligados ritualmente ao morto, sendo sempre e preliminarmente propiciado Exu, que levará o carrego, evidentemente, e os antepassados cultuados pelo grupo, 4) destruição dos objetos rituais do falecido (assentamentos, colares, roupas, adereços etc.), podendo parte permanecer com algum membro do grupo como herança, 5) despacho dos objetos sagrados "desfeitos" juntamente com as oferendas e objetos usados no decorrer da cerimônia, como os instrumentos musicais próprios para a ocasião, esteiras etc.

Quando, no final, o despacho é levado para longe do terreiro, tudo juntado num grande balaio, nenhum objeto religioso de propriedade do morto resta no templo. Ele não faz mais parte daquela casa e só futuramente poderá ser incorporado ao patrimônio dos ancestrais ilustres, se for o caso, podendo então ser assentado e cultuado. Por ora, o egum está livre para partir. Igualmente, o orixá ou orixás pessoais do falecido já não dispõem de assentos (ibá-orixá) no terreiro, tendo portanto seus vínculo desfeitos. O ori, que pereceu junto com seu dono, também não mais existe fixado num ibá-ori (assentamento). Se algum objeto ou assento foi dado a alguém, ele tem novo dono, para quem é transferida a responsabilidade do zelo religioso. Nada mais é do morto. Nada mais há que o prenda ao terreiro.

Durante o axexê, acredita-se que o morto pode expressar suas últimas vontades e para isso o sacerdote que preside o ritual faz uso constante do jogo de búzios. Assim, antes de cada um dos objetos religiosos que lhe pertenceram em vida ser desfeito, rasgado ou quebrado, o oficiante pergunta no jogo se tal peça deve ficar para alguém de seu círculo íntimo. Não é de bom-tom, contudo, deixar de despachar pelo menos grande parte dos objetos. Quando se trata de fundador de terreiro ou outra pessoa de reconhecidos méritos sacerdotais, é costume deixar os assentos de seus orixás principais para o terreiro, os quais passam a ser zelados por toda a comunidade. Não raro, assentos de orixás de mãe e pais de grande prestígio costumam ser disputados por filhos com grande estardalhaço, havendo mesmo relatos de roubos e até de disputas a faca e bala.

O axexê é realizado no terreiro em dois espaços: num recinto reservado, preferencialmente uma cabana especialmente construída com galhos e folhas, e no barracão. Na cabana, em que poucos entram, são colocados os objetos do morto, onde são desfeitos, aí se realizando os sacrifícios para os orixás e para o egum. No barracão são celebradas as danças, aí permanecendo os membros do terreiro, os parentes e amigos do finado.

O morto é representado no barracão por uma cabaça vazia, que vai recebendo moedas depositadas pelos presentes, no momento em que cada um dança para o egum. Todos devem dançar para o egum, como homenagem pessoal. Apesar dos cânticos e danças, o clima da celebração é propositalmente constrito e triste. Os atabaques são substituídos por um pote de cerâmica, do qual se produz um som abafado com uso de leques de palha batidos na boca, e por duas grandes cabaças emborcadas em alquidares com água e tocadas com as varetas aguidavis. Os presentes usam tiras da folha do dendezeiro, mariô, atadas no pulso, como proteção contra eventual aproximação dos eguns. Todo esse material, ao final, comporá o carrego do morto. No barracão também é servido o repasto preparado com as carnes do sacrifício, reservando-se aos ancestrais, orixás e egum as partes que contêm axé.

No quarto reservado, o morto é representado por recipientes de barro ou cerâmica virgens, os quais futuramente podem ser usados para assentar o espírito do falecido juntamente com os demais antepassados ilustres daquela comunidade religiosa, ou despachados.

Por influência do catolicismo, que costuma repetir a missa fúnebre em intervalos regulares, em muitos terreiros o rito do axexê é repetido depois de um mês, um ano e a cada sete anos, especialmente quando se trata do falecimento do babalorixá ou ialorixá. Mas a maioria dos iniciados, entretanto, acaba não recebendo sequer um dia de axexê. Isto ocorre por falta de interesse da família carnal do morto, muito freqüentemente não participante do candomblé, por dificuldades financeiras, já que é alto o custo da celebração, ou por incapacidade do pessoal do terreiro para oficiar a cerimônia. Na melhor das hipóteses, os otás, pedras sagradas dos assentamentos, são despachadas com um pouco de canjica, reaproveitando-se todos os demais objetos sagrados.

Hoje, com a grande e rápida expansão do candomblé, o axexê parece estar em franca desvantagem com relação às demais cerimônia. Sobretudo em São Paulo, onde o candomblé não completou sequer cinqüenta anos, poucos terreiros dispõem de sacerdotes e sacerdotisas capazes de cantar e conduzir o rito fúnebre, obrigando a comunidade, em caso de morte, a se valer dos serviços religiosos de pessoa estranha ao terreiro, que costuma cobrar e cobrar muito caro pelo serviço. Vários adeptos do candomblé, que se profissionalizam como sacerdotes remunerados, especializam-se em axexê. São então chamados para a cerimônia quando um terreiro necessita de seus préstimos. Isto, evidentemente, encarece muito a cerimônia, o que acaba por inviabilizá-la na maioria dos casos. Mesmo quando morre um sacerdote dirigente de terreiro, há grande dificuldade para a realização dos ritos funerários, sobretudo naquelas situações em que a morte do chefe leva ao fechamento da casa, provocada tanto por disputas sucessórias, como por apropriação da herança material do terreiro pela família civil do falecido. Vale lembrar que se pode contar nos dedos os terreiros que, por todo o Brasil, sobreviveram a seus fundadores. Em geral, a família do finado não tem qualquer interesse em realizar o axexê e nem está disposta a gastar dinheiro com isso. Por outro lado, pouquíssimos pais e mães-de-santo, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro, se dispõe a realizar qualquer tipo de cerimônia sem o pagamento por parte do interessado, mesmo quando o interessado é membro de seu próprio terreiro. Muitos pais e mães-de-santo mantêm terreiros especialmente como meio de vida, de modo que as regras do mercado suplantam em importância e sentido as motivações da vida comunitária.

Ao que parece, o empenho das comunidades de culto na realização dos ritos funerários, na maioria dos casos, é muito reduzido quando comparado com o interesse, esforço e empenho despendidos nos atos de iniciação e feitura, como se, com a morte, pouca coisa mais importasse. Cria-se assim uma situação em que a preocupação em completar o ciclo iniciático vai perdendo importância, alterando-se profundamente, em termos litúrgicos e filosóficos, a concepção da morte e, por conseguinte, a própria concepção da vida. Os conceitos originais africanos de vida e morte vão se apagando e o candomblé vai cada vez mais adotando idéias mais próximas do catolicismo, do kardecismo e da umbanda, criando-se, provavelmente, uma nova religião, que hoje já se esparrama pela cidades brasileiras a partir de São Paulo e Rio de Janeiro, e que muitos chamam, até pejorativamente, de umbandomblé, em que os eguns, que são na concepção iorubá ancestrais particulares de uma específica comunidade, vão perdendo suas características africanas para se transformar em entidades genéricas, não ligadas a nenhuma comunidade de culto em particular, que baixam nos terreiros para "trabalhar", assumindo a justificativa da caridade, ideal e prática cristã-kardecistas que aos poucos vão suplantando os modelos africanos de ancestralidade e seus ideais de culto à origem e valorização das linhagens. Esta nova maneira de pensar a morte e vida por grande parte dos adeptos do candomblé, sobretudo os de adesão mais recente, constitui forte razão para a crescente perda de interesse na realização do axexê para todos os iniciados. Com isso, certamente, ganham terreno as concepções e ideais da umbanda e perdem as do candomblé. Isto é o contrário do movimento de africanização([1]) e já há muito se constituiu num processo oposto, o da umbandização do candomblé. Sem axexê, a feitura de orixá não faz sentido, pelo menos nos termos das tradições africanas que deram origem à religião dos orixás no Brasil. O ciclo simplesmente não se fecha e a repetição mítica, tão fundamental no conceito de vida segundo o pensamento africano, não pode se realizar.

[1] Africanização é o processo de retomada das tradições religiosas africanas iniciado na década de 60 em terreiros de nação de origem iorubá ou nagô. Implica reaprendizado da língua iorubá, recuperação da mitologia e de rituais esquecidos e alterados na diáspora, inclusive os procedimentos oraculares, e abandono das práticas sincréticas católicas e do culto de entidades de origem não iorubá, como os caboclos (Prandi, 1991; 1996). Mãe Stella Odé Kaiodé, ialorixá do Axé Opô Afonjá, de Salvador, Bahia, tem sido uma das lideranças mais expressivas, em âmbito local e nacional, na luta contra o sincretismo católico, tendo o terreiro que governa há muito abandonado, ao menos formalmente, as práticas católicas que usualmente estão mescladas com o pensamento e o ritual do candomblé.

OLUBAJÉ - O BANQUETE DO REI (OUTRA LENDA)O PORQUE COMEMORAMOS E BANQUETE DO REI


OLUBAJÉ


É um ritual para Obaluaiê e somente é feito em casas de Candomblé e por lei em casa onde tenha um Ebomí de Obaluae ou que o proprio Zelador ou Zeladora seja deste Orixá.
Olubajé É Uma Palavra Iorubana E Que Significa Olú : Aquele Que ; Ba : Aceita ; Je : Comer . Nesta coluna mostrarei algumas Cantigas que são tocadas neste ritual juntamente com suas traduções.

Olubajé

Diz uma lenda que Xango, um Rei muito vaidoso, deu uma grande festa em seu palácio eocnvidou todos os orixás, menos Obaluae, pois suas caracteristicas de pobre e de doente assustavam o rei do trovão. No meio do grande cerimônial todos os outros orixás começaram a dar falta do Orixá Rei da Terra e começaram a indagar o por que de sua ausência, até que um deles descobriu de que ele não havia sido convidado, todos se revoltaram e abandoram a festa indo a casa de Obalaue pedir desculpas, Obalaue se recusava a perdoar àquela ofensa até que chegou a um acordo, daria uma vez por ano uma festa em todos os orixás seriam reverenciados e este ofereceria comida a todos com tanto que Xango comesse aos seus pés e ele nos pés de Xango, nascia assim a cerimônia do olubajé. Porém muitas outras vão em desencontro com essa lenda, pois narram outros motivos o porquê que Xango e Ogum não se manifestarim no Olubajé.

Aqui vou narrar um pouco o que acontece nessa cerimônia:


Nesse dia todo o barracão, casa de candomblé, se encontra ornamentada na cor desse orixá, Obaluaê, devo ressaltar que essa é a única cerimônia dentro do candomblé que dispensa o Ipade, chega a hora e o Babalorixá ou a Yalorixá faz soar o adjá, a fila indiana se forma todos descalços, panelas de barro ornamentadas com faixas todas contendo comidas de todos os orixás com exceção do orixá Xango, a frente estará a Yalorixá ou o Babalorixá seguida por uma filha de Oyá carregando uma esteira, uma outra com um pote na cabeça contendo a bebida sagrada das cerimônia chamada de Aluá, mais 1 com um vasilhame de barro cheia de Ewe Lara (folha de mamona) a qual servirá de prato para as comidas, logo em seguida mais 21 pessoas ou 7, esses são os números das comidas oferecidas, estarão com vasilhames de barro na cabeça.

É importante ressalatar que todos, como numa cerimônia de um bori, inclusive os assistentes deverão estar descalços.

Nesse momento o Zelador(a) do culto entoa para os atabaques a seguinte cantiga:


“ Aráayé a je nbo , Olúbàje a je nbo
Aráayé a je nbo , Olúbàje a je nbo”

Tradução:
Povo da terra, vamos comer e adorá-lo, o senhor aceitou comer.
Povo da terra, vamos comer e adorá-lo, o senhor aceitou comer.


A s esteiras são estendidas e ali depositadas as comidas que logo serão servida ao povo, todos continuam dançando em volta das comidas até que o último convidados termine seu "prato". os restos são depoistados em um vasilhame também colocado, préviamente, na mesa. quando o último termina sua refeição então o Zelador (a) senta-se num apoti e todos se ajoelham e entoam a reza de Obaluae comum do seu axé ou da sua casa, a mais popular é essa:


È é é ajeniníiyá, ajeniníiyá
Àgò ajeniníiyá
Máà kà lo, ajeniníiyá,
Ajínsùn aráaye, ó ló ìjeniníiyá
E wa ká ló
Sápadà aráaye, ló ìjeniníiyá,
E wa ká ló
Ìjeniníiyá aráaye


A vós punidor, te pedimos licença, não nos leve embora.
Ele pode castigar e levar-nos embora, mandar-nos embora de volta para o outro mundo( outro, o dos mortos).
Pode castigar e levar-nos embora, castigar nos humanos.


Todos se ajoelham e um cântico em solo é ouvido de forma melodiosa e respondido pela audiência três vezes.Fora a voz humana, somente o Agogô , marca os intervalos entre cada estrofe.
A prece continua.....

Opeèré má dó péré Operé
Pássaro, símblo da vitória dos orixás do Daomé, encontrado sempre encontrado no alto da ferramenta de Ossãe) não ficará só

Ó bèré ké se
Ele começará a gritar.

Má dó há, má dó pèré
Partilhara sua comida,não ficará só

Opeèré má dó péré
Somente Operé não ficara só.

Ó bèré ké se
Ele proclamará a todos.

Má dó há, má dó pèré
Ele ficará e gritará, e não ficará só.


02

Don hòn há,
Em pé usarão barreiras contra feitiços,

Don hòn há é à,
Em pé se tornarão visíveis

Don hòn há é à,
e dividirão a sua comida

Don hòn há,
Em pé

Opèré má dó péré
Dó sú, màá dó é Operé
não ficará só

Dó sú, màá dó , Dó sú, màá dó
ficará cansado, ficará bem

Dó sú, màá má n'gbé
ficará cansado e será ajudado.

Ayò kégbe hún hún
Contende gritara, sim, sim

Ayò kégbe hún hún

........ Todos batem palmas pausadamente – paó – saudando Obaluaiê.

Logo em seguida é cantado com voz forte e cheia de entusiasmo, esta frase melodiosa ecoa.

O conjunto dos participantes se levantan e cantan:

Omolú Kíí bèrú jà
Omolu não teme a briga.

Kòlòbó se a je nbo
Em sua pequena cabaça traz axé e feitiço, vamos comer cultuando-o

Kòlòbó se a je nbo
Kòlòbó se a je nbo

Aráayé.
todos juntos

Nesse momento todos os vasilhmes começam a ser retirados e as pessoas que os trouxeram, novamente tomam seus lugares na fila indiana para recebê-los de volta, agora ao invés de colorem em suas cabeças, os colocam em seus ombros esquerdos, acredito eu, que no fundo seri porque o Olubajé seria o ebó das nossas casa de santo e dos nossos corpos. Todos dançando levam para o quarto de obaluae, onde os vasilhames ficarão até a hora de seus despachos.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

OLUBAJÉ - O BANQUETE DO REI




01
....o banquete do rei
O ritmo daAvamunha reúne a todos. ê na mesma ordem da sequência anterior que os dançarinos, em número de vinte eum, dirigem-se a esse novo lugar, no exterior. Sobre as cabeças, os alguidares, cheio de iguarias , visto que oOlubajé éuma grande produção, distribuição e consumo do que se alimentam os orixás.
Diante do cortejo,Yaloshun dê. Atrás dela, uma filha de Oyá carrega algumas esteiras. Logo a seguir, uma outra traz, nalouça de barro as folhas de “ ewe-lará”. Uma terceira filha sustenta em sua cabeça um pote de argila contendo o “ aluá “, a bebida sagrada. Vinte e um tipos de comida geralmente são oferecidos, sete no mínimo.
Um novo cântico de ritmo lento começa a ser ouvido. Ele marca o início do grande banquete do rei e vai se prolongar por
muito tempo até o seu final.
“ Aráayé a je nbo , Olúbàje a je nbo
Aráayé a je nbo , Olúbàje a je nbo”
Povo da terra, vamos comer e adorá-lo, o senhor aceitou comer.
Povo da terra, vamos comer e adorá-lo, o senhor aceitou comer.
As esteiras são desenroladas e sobre elas é colocado um tecido branco e imaculado. Um após outro, os alguidares e potes
sãocolocados sobre a toalha e formam sobre o chão a grande mesa .
Yaloshundê incumbe a três dos mais velhos iniciados a servir, sobre as folhas de mamona, utilizados como pratos, um
pouco de cada alimento contido nos recipientes. Ela mesma se encarrega de oferecer os primeiros aos convidados mais
importantes, aconselhando a todos a não ficarem imóveis, mas adançar ou se mover sem parar e comer com as maõs.
A música continua. Ao lado e a um canto da “mesa”uma grande bacia esta preparada para receber os restos que devem ali ser depositados. As folhas que servem de prato devem ser fechadas, juntamente com os restos de comida não consumidos, e passadas ao longo do corpo, as mãos não devem ser lavadas...elas serão limpas ao serem esfregadas nos braços, pernas ou cabeça para que oAxé se impregne na pele.
Yaloshundê , assegurando-se de que cada um foi servido, dirige-se até um convidado de grande importância de outra
comunidade, exortando-o a cantar as preces deObaluaiê.
È é é ajeniníiyá, ajeniníiyá
Àgò ajeniníiyá
Máà kà lo, ajeniníiyá,
Ajínsùn aráaye, ó ló ìjeniníiyá
E wa ká ló
Sápadàaráaye, ló ìjeniníiyá,
E wa ká ló
Ìjeniníiyá aráaye
A vós punidor, te pedimos licença, não nos leve
embora.
Ele pode castigar e levar-nos embora, mandar-nos embora de volta para o outro mundo( outro, o dos mortos).
Pode castigar e levar-nos embora, castigar nos
humanos.
Todos se ajoelham e um cântico em solo é ouvido de forma melodiosa e respondido pela audiência três vezes.Fora a voz
humana, somente oAgogô , marca os intervalos entre cada estrofe.
A prece continua.....
Opeèré má dó péré
Operé(Pássaro) não ficará só
Ó bèré ké se
Ele começará a gritar.
Má dó há, má dó pèré
Partilhara sua comida,não ficará só
Opeèré má dó péré
Somente Operé não ficara só.
Ó bèré ké se
Ele proclamará a todos.
Má dó há,má dó pèré
Ele ficará e gritará, e não ficará só.
Olubajé........ o banquete do rei
Fragmentos deTextos extraído do livro de José Flávio Pessoa de Barros
Festa deOlubajé no terreirodeYaloshundê no Rio de Janeiro
Após executada a 1ª parte do cerimonial de abertura , segue a continuação...
02
Don hòn há
Os de Empé usarão barreiras contra feitiços,
Don hòn há é à ,Empé
se tornarão visíveis
Don hòn há
e dividirão a sua comida
Don hòn há é à ,Empé
Opèré má dó péré
Dó sú, màá dó é
Operé não ficará só
Dó sú, màádó , Dó sú, màádó
ficará cansado, ficará bem
Dó sú, màá má n’gbé
ficará cansado e será ajudado.
Ayò kégbe hún hún
Contende gritara, sim , sim
Ayò kégbe hún hún
........ Todos batem palmas pausadamente – paó – saudandoObaluaiê.
Com voz forte e cheia de entusiasmo, esta frase melodiosa ecoa. O conjunto dos participantes se levantan e cantan:
Omolú Kíí bèrú jà
Omolu não teme a briga.
Kòlòbó se a je nbo
Em sua pequena cabaça traz axé e feitiço.
Kòlòbó se a je nbo
Vamos comer cultuando-o
Kòlòbó se a je nbo
Omolu não teme a briga.
Aráayé.
Em sua pequena cabaça traz axé e feitiço.
Vamos comer cultuando-o, todos juntos.
Dançam em volta da mesa até que a música termine.Novamente aAva munha se instala. Toda a louça, a toalha ,a esteira, a bacia com os restos são retirados do local e a antiga roda sai em fila indiana, portando os recipientes sobre os ombros,os quais serão depositados na casa deObaluaiê e na manha seguinte serão despachados.
Yaloshundê anuncia em voz baixa e alguém trás um grande cesto de pipocas que é depositado aos seus pés.Com um gesto
delicado ela toma um punhado deDoburus lançando sobre os convidados caindo como chuva.
Um novo intervalo permite que os atabaques retornem ao seus lugares de origem.
.... a dança do rei
OAdjarim quebra o silencio ,Yaloshun dê a frente do cortejo entoa um novo cântico como súplica marcado ao tom do
agogô.
Ágò n’ilé , n’ilé
Permissão ( licença )
N’ilé ma dàgó
para entrar na casa.
Sápadà , A jí nsún ,
licença Sapatá
Ma dàgó
Ajinsun, permissão
Ágò n’ilé ágò.
Para entrar na casa, licença.
A estrofe é repetida até que todo o cortejo esteja presente no interior do barracão.A cada vez, o nome litúrgico deSapatá
é substituídosaudando: Ajinsun – Omolu – Onilé – Obaluaê – Jagun – Azuane e outros num total de 16.
Um solo surge respondido em uníssono pelo público com entusiasmo:
Ó gbélé ìko , sàlàrè
Ele vive em casa de palha
Sálà rè lórí
que é o seu alá, que cobre a sua cabeça
Ó gbélé ìko, Ó gbélé ìko
vive em casa de palha
Sálà rè lórí
o alá que cobre a sua cabeça.
Três golpes fortes noRun , fazem cessar a melodia de maneira abrupta; é oremate, que se ouve para que um outro canto
possa se elevar:
Olórí ìjeníiyà a pàdé
O Senhor que mata, o Senhor que castiga
Olorí pa
vem ao nosso encontro.
Olórí ìjeníiyà a pàdé
O Senhor que mata, o Senhor que castiga
Olorí pa
vem ao nosso encontro.
O canto repetido varias vezes fala daquele que castigae pune osinfratores.
03
O refrão a seguir , fala da proteção àqueles que sabem bem receber :
Jóalé ijó , é
Dance em nossa casa,
Jóalé ijó , é jó
dance, dance , dance em nossa casa.
alé ijó ,
dando força e energia à nossa casa.
Àfaradà a lé
Dançando ele dá proteção àcasa.
Njó ó ngbèlé
Um quarto e quinto cânticos falam da tradição e da constante peregrinação do Rei conquistador. O povo de
santo sempre fala dos respeito que se deve aos andarilhos, pobres e pedintes, dizendo que “ são os afilhados de
Obaluaêou até ele mesmo disfarçado”para observar os seus . E o último, dos campos daqueles que cultivam
a terra, do lavrador que pede aOnilé fartura para seu povo
Àká ki fàbò wíwà
Celeiro para onde retorna a existência,
Àká ki fàbò wíwà
que possa você ter celeiro para onde
Wáákalé , wáá
retorna a existência, longa vida
Kalé sé awo orò
para cultuar as tradições, e que
Wáákalé , wáá
possa você ter longa vida
Kalé sé awo orò
para culturar as tradições.
Ò kíní gbé fáárà farotì
Ele é aquele que pode aproximar-se e dar apoio
Ò kíní gbé fáárà àfaradà
aqueleque pode dar força e energia
Oní pópó oníyè
com sua proximidade. Senhor das estradas
Kíní ìyìyá wa ìfaradá
e dos campos, Senhor da boa memória,
que pode nos dar força para resistirmos à dor.
Ò ní a ló ìjeníìyà
Ele pode fazer secar a cabeça do homen,
Ajàgun tó ló
levá-lo embora e
Ìjeníìyà olúwàié
esculpir a cabeça do homem .
Táálá bé okùnrin
Ele pode fazer definhar,
O táálá bé okùnrin
matar a cabeça do homen.
Wa ki ló kun
É o executor que decapita ,
Táálá bé okùnrin
que pode nos castigar.
Abénilorí ìbé
O guerreiro que podecastigar.
Rí ó ní je olúwàié
Osenhor da terra.
Táálá bé okùnrin
Oguerreiro que pode punir.
O cântico suplica ao Deus , cujo rosto oculto inspira temor e medo, porem todos sabem que padeceu enfermo,
sofreu o flagelodo abandono e, porisso mesmo, ampara e protege os desafortunados.
Wúlò ní wulò
Ele é importante e necessário
A nilè gbèlé ibé kò
para nós da terra, dá proteção à casa
Wúlò ní wulò
não permita que nossas cabeças tombem
A nilè gbèlé ibé kò
( pelasmãos do inimigo)
O aspecto punitivo doOrixá, é expresso em outra cantiga , assim como seu poder criador.
Omolú tó ló kum eron ènìòn
Omolu é aquele que pode
E ló e ló e kum
esculpirna carne das pessoas.
Omolú tó ló kum eron ènìòn
Omolu é aquele que pode
E ló e ló e kum
esculpirna carne das pessoas.
Omolú tó ló kum eron ènìòn
Ele pode, ele podeeele esculpe.
Omolú tó ló kum eron ènìòn
Ele pode, ele pode ele esculpe
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04
Os Sábio-sacerdotes , diante de Onilé ( Senhor da terra ) se dizem pequenos: a modéstia , no entanto , é só
aparência diante dos poderosos.
Ascantigas falam disso............
Onilè wà àwa lèsé òrisá
O Senhor da terra está entre nós que cultuamos orixá.
Opé ire onílè wà a lèsé òrisá Opé ire
Agradecemos felizes pelo Senhor da terra
E kòlòbó e kòlòbó sín sín sín
estar entre nós que cultuamos orixá.
Kòlòbó
Agradecemos felizes.
E kòlòbó e kòlòbó sín sín sín
Em sua pequena cabaça traz remédios
Kòlòbó
para livrar-nos das doenças
Omolú pè olóre a àwúre e
Omolute pedimos Senhor da boa sorte,
Kú àbó
que use seus remédios ( sortilégios )
Omolú pè olóre a àwúre e
para nos trazer boa sorte.
Kú àbó
Seja bem-vindo!!!
Jé a npenpe e ló gbé wàiyé
Senhor que tem boa memória e pode tornar-se inteligente.
Tó ní gbón mi
pois eu sou insignificante( pequenino )
Jé a npenpe
É ele que pode dar proteção ao nosso mundo.
Omolú wàiyé( Obalúwaiyé)
È ele que pode dar inteligência, eu sou pequenino
Tó ní gbón mi ó
Rei, Senhor da terra, torne-meinteligente.
Um último canto precede o balé dos outros orixás presentes á festa. Em algumas casas de santode tradição
nagô, ele antecede o banquete. Os adeptos entram no barracão dançando.
Á frente do cortejo uma filha de Iansã tem sobre sua cabeça um balaio ornado com grandes laços.Dentro um“ assentamento “deObaluaê recoberto de pipocas que são distribuídas aos presentes.Em troca, quando podem oferecem pequenas quantias em dinheiro.
Kóró nló awo , kóró nló awo
Ele vai embora,
sé ó gbèje
embora da cerimônia,
Kóró nló awo , kóró nló awo
embora do culto.
sé ó gbèje
Ele aceitou comer.
Este canto anuncia queOnilé – Senhor da terra , aceitou as homenagens partilhando com todos , povo eOr ixás,
as oferendas.
05
a saudação dos convivas......
È hora da família mítica deObaluaê. Vem dançarOxumarê, seu irmão,o arco-íris; depoisNanã, a sua mãe;
em seguidaIemanjá, sua mãe adotiva e finalmenteIansã, “ aquela que acalmou seu sofrimento na infância.
Oxumarê, que se encontrava sentado placidamente, ao ouvir os primeiros acordes do seu “Orô”. Isto é, da
cantiga que fala de sua história. Curvando-se em uma saudação, todos ouvem seu assobio alto e melodioso,
anunciando sua satisfação.
A dança compassada deixa que todos possam admirar as roupas do Deus - Serpente .
Òsùmàrè
Ele está sobre a casa.
Wàlé lé mo rí , Òsùmàrè
Eu vi , ele é imenso.
Lé´ lé mo rí ó , ràbàtà
Ele está sobre a casa, é Oxumaré
Lé´ lé mo rí
Oxumaré está sobre a casa
Òsùmàrè
Eu vi Oxumaré.
Um novo cântico, no mesmo ritmo , se ouve.....O texto fala do ´´àkoró ´´, isto é , do Senhor do àkorô – espécie
de chapéu ou turbante que usam os poderosos em suas apresentações.
Aláàkòró lé èmi ô
Aláàkòró lé ìwo
O Senhor do àkoró esta sobre mim.
Aláàkòró lé èmi ô
O Senhor do àkoró sobre você.
Aláàkòró lé ìwo
Òsùmàré ó ta kéré
O Deus do arco-íris movimenta-se
Ta kéré ó ta kéré
rapidamente.
Òsùmàré ó ta kéré
Para diante, adiante , adiante.
Ta kéré ó ta kéré
O Orixá dança por mais alguns minutos e, curvando-se em todas as direções , saúda os quatro cantos do mundo
e a todos os presentes, retirando-se em seguida.
Os acordes dos atabaques, reverenciam“ a mais velha dasiabás’ , a venerávelNanã.
Yaloshundé dirige-se até ela, que placidamente aguardava seu momento de saudar Obaluaê.
E o cântico começa.......
Òdí Nàná ni ewà
Léwà lèwá e
A outra face( outro lado ) de Nanã é bonita
Òdí Nàná ni ewà
A outra face de Nanã é bonita
Léwà lèwá e
Os versos da música sacra dizem que a “ Venerável Anciã “ tem a outra face bela , deixando supor que existe
uma que deve ser respeitada, poisNanã está intimamente ligada ao culto dos “egunguns “ , isto é , os espíritos
dos ancestrais do povo-de-santo. A vinda do “ Ibirí “ – cetro daquela que é“ a mais velha das deusas” é
providenciado.
Nàná ayò
Nanã Olocó(aquela que tem poderes para chamar um parente morto)
Àwa ló bímon ayó alóko
faça-nos felizes; nós poderemos tomar outra direção para termos a
Nàná ayò
alegria do nascimento de filhos.
Àwa ló bímon ayó alóko
Naná Olocó, faça-nos felizes.
Ò iyá wa òré
Ò ní aijalò
Ela é nossa mãe e amiga;
Ò iyá wa òré
Ela é a Senhora da alta sociedade.
Ò ní aijalòòde
Ao sons dos atabaques, majestosamente elacomprimenta a todos na sua despedida; os presentes
respeitosamente a saúdame reverenciam...........- Sálù bà Nàná..... Sálù bà Nàná ....
..... outra mãe estápara chegar....
06
È a vez deIemanjá , a quem se pede proteção, filhos saudáveis , partotranquilo, beleza e prosperidade.
Suas vestes regiamente ricas em tons claros fazem dela uma das mais belas dasIabás.
Os cânticos falarão de seus atributos, os mesmos que seus adeptos em todos o Brasil desejam e suplicam á
deusa das águas.
As quatro cantigas que se seguem falam disso:
Yemonja àwa
Iemanjáprotege-nos e nos enche de
Ààbò a yó
satisfação.
Yemonja
È Iemanjá , estamos protegidos ,

07
...celebrando a criação
Vestido de branco , segurando um longo cajado e indiferente a toda agitação do barracão está
Oxalufâ-“ o Senhor da Criação “ .
Amparado, é delicadamente erguido de sua cadeira; a passos curtos e lentos é conduzido até a orquestra, que
aguarda pacientemente sua caminhada até que chegue mais próximo, para então executar o seu ritmoIgbi.
Ao seu lado, Oxaguiã ,seu filho guerreiro, e como ele, também“ Pai da Criação “.
Amparado pelo guerreiro, o mais velho encurvado começa a dançar, e todos exultam....
= Epa babá !! -Respeitos ao pai !!
///
= Epa babá !! -Respeitos ao pai !!
Èyin rí àwa
Vós vedes a nós e a crença em nossos corações.
ìgbàgbó wa okòn
Vós vedes a nós e a crença em nossos corações.
Èyin rí àwa , ìgbàgbó wa okòn
Façais com que haja concórdia em nossa reunião
Ètùtù sé ipadé siré
de xirê ( dançar e brincar paraorixás )
Kò rú lé, kò rú lé,
Que não causeis confusão na casa,
Bàbá Ifá
Pai Ifá.
E sìn sé ipàde siré
Vos cultuaremos em nossas reunião de xirê,
Kò rú lé, kò rú lé,
não causeis confusão em nossa casa,
Bàbá Ifá
Pai Ifá.
Sem cessar a dança e no mesmo ritmo, é saudado, agora, Ajalá , o grande oleiro, construtor das cabeças dos
homens:
Àjàlá mo rí mo rí mo yo
Ajalá fez o meu ori ( minha cabeça ),
Álá forí kòn
me germinou e fez crescer,alá que segura
E àgó fi rí mi
e mantém a minha cabeça.
Bée orí kò kíì Àjàlá
Assim não há ori ( cabeça ) que não saúde Ajalá.
Bàbá òkè kí a mò rè
O Pai que está no topo,nós o conhecemos e saudamos.
Kíì Àjàlá bée orí kò
Ajalá , não há ori que não o faça.
Um último cânticoé executado para saudar os orixás funfun – donos do branco, da “ pureza” como dizem
outros, é em especial a homenagem aOxaguiã, sempre louvado no alvorecer, nas preces feitas aos ancestrais.
Ojó mò tyìn odó aláyé ojó
Chefe do dia que entende o dia
Ojó bí walé ojó
e tem pilão.
Ojó mò tyìn odó aláyé ojó
O que nasce em nossa casa ,
A bo wa Bàbá ó
vamos cultuar o nosso pai.
Uma história ouvidahá alguns anos, na Casa Branca do Engenho Velho–IlêIa – Nassô , relata.....
“Oguiã, que gostava muito de guerra...voltava para sua cidade, quando viu que ela estava muito vazia..soube
então que parte de seu povo fora levado e escravizado...Cheio de raiva vai á floresta e arranca uma imensa
árvoree vem sobre o seu tronco até o Brasil...No meio do mar encontrauma linda mulher,Iemanjá-Ogunté,
guerreira como ele...fazem um filho –Ogu njá... e os três chegam à Bahia para lutar juntos por sua gente....”
Neste dia- o da festa – apesar das homenagens feitas a todos no xirê, dois Orixás estão ausentes:
Xangô – o irmão rival do homenageado.
Ogum, de quem o povo-de-santo diz ter com ele “ uma disputa” muito antiga com referenciaa faca.
A luta dos que veneram os Orixás não pode cessar.
lentamenteos convidados se retiram....
o dia já amanhece na casa de Ialoshundê....

Capa/frente
Olubajé....
.....o banquete doRei
Cânticos Sacros Afro-Brasileiros
Autor.: José Flávio Pessoa de Barros