terça-feira, 12 de julho de 2011

SOCIEDADE

Blog de arrundegy :EGUNGUN(CULTO AOS ANCESTRAIS), SOCIEDADES

Os mortos do sexo feminino recebem o nome de Ìyámi Agbá (minha mãe anciã), mas não são cultuados individualmente. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Ìyámi Oxorongá chamada também de Ìyá NIa, a grande mãe. Esta imensa massa energética que representa o poder da ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas "Sociedades Gëlèdé", compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detêm e manipulam este perigoso poder. O medo da ira de Ìyámi nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino.Além da Sociedade Gëlèdé, existe também na Nigéria a Sociedade Oro. Este é o nome dado ao culto coletivo dos mortos masculinos quando não individualizados. Oro é uma divindade tal qual Ìyámi Oxorongá, sendo considerado o representante geral dos antepassados masculinos e cultuado somente por homens. Tanto Ìyámi quanto Oro são manifestações de culto aos mortos. São invisíveis e representam a coletividade, mas o poder de Ìyámi é maior e, portanto, mais controlado, inclusive, pela Sociedade Oro. Outra forma, e mais importante, é culto aos ancestrais masculinos é elaborada pelas "Sociedades Egungun". Estas têm como finalidade elaborar ritos a homens que foram figuras destacadas em suas sociedades ou comunidades quando vivos, para que eles continuem presentes entre seus descendentes de forma privilegiada, mantendo na morte a sua individualidade. Esses mortos surgem de forma visível mas camuflada, a verdadeira resposta religiosa da vida pós-morte , denominada Egun ou Egungun. Somente os mortos do sexo masculino fazem aparições, pois só os homens possuem ou mantêm a individualidade ; às mulheres é negado este privilégio, assim como o de participar diretamente do culto.Esses Eguns são cultuados de forma adequada e específica por sua sociedade, em locais e templos com sacerdotes diferentes dos do culto dos Orixás. Embora todos os sistemas de sociedade que conhecemos sejam diferentes, o conjunto forma uma só religião: a iorubana. No Brasil existem duas dessas sociedades de Egungun , cujo tronco comum remonta ao tempo da escravatura : Ilê Agboulá, a mais antiga, em Ponta de Areia, e uma mais recente e ramificação da primeira, o Ilê Oyá, ambas em Itaparica, Bahia.

Esses Eguns são cultuados de forma adequada e específica por sua sociedade, em locais e templos com sacerdotes diferentes dos do culto dos Orixás. Embora todos os sistemas de sociedade que conhecemos sejam diferentes, o conjunto forma uma só religião: a iorubana.

CONTINUAÇÃO

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Nas festas de Egungun, em Itaparica, o salão público não tem janelas, e, logo após os fiéis entrarem, a porta principal é fechada e somente aberta no final da cerimônia, quando o dia já está clareando. Os Eguns entram no salão através de uma porta secundária e exclusiva, único local de união com o mundo externo. Os ancestrais são invocados e eles rondam os espaços físicos do terreiro. Vários amuixan (iniciados que portam o ixan) funcionam como guardas espalhados pelo terreiro e nos seus limites, para evitar que alguns Babá ou os perigosos Apaaraká que escapem aos olhos atentos dos Ojé saiam do espaço delimitado e invadam as redondezas não protegidas. Os Eguns são invocados numa outra construção sacra, perto mas separada do grande salão, chamada de ilê awo (casa do segredo), na Bahia, e igbo igbalé (bosque da floresta), na Nigéria. O ilê awo é dividido em uma ante-sala, onde somente os Ojé podem entrar, e o lêsànyin ou balé, onde só os Ojé agbá entram Balé é o local onde estão os idi-egungun, os assentamentos - estes são elementos litúrgicos que, associados, individualizam e identificam o Egun ali cultuado -, e o ojubô-babá, que é um buraco feito diretamente na terra, rodeado por vários ixan, os quais, de pé, delimitam o local. Nos ojubô são colocadas oferendas de alimentos e sacrifícios de animais para o Egun a ser cultuado ou invocado. No ilê awo também está o assentamento da divindade Oyá na qualidade de Igbalé, ou seja, Oyá Igbalé - a única divindade feminina venerada e cultuada, simultaneamente, pelos adeptos e pelos próprios Eguns - Ojé e Amuixan ,atentos ,acompanham Babá Egun na sua caminhada. - Após saírem do ilê awo, os Eguns são conduzidos pelos amuixan até a porta secundária do salão, entrando no local onde os fiéis os esperam, causando espanto e admiração, pois eles ali chegaram levados pelas vozes dos Ojé, pelo som dos amuixan, branindo os ixan pelo chão e aos gritos de saudação e repiques dos tambores dos alabê (tocadores e cantadores de Egun). O clima é realmente perfeito. No balé os Ojé atokun vão invocar o Egun escolhido diretamente no seu assentamento, e é neste local que o awo (segredo) - o poder e o axé de Egun — nasce através do conjunto Ojé-ixan / idi-ojubô. A roupa é preenchida e Egun se torna visível aos olhos humanos.


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Nas festas de Egungun, em Itaparica, o salão público não tem janelas, e, logo após os fiéis entrarem, a porta principal é fechada e somente aberta no final da cerimônia, quando o dia já está clareando. Os Eguns entram no salão através de uma porta secundária e exclusiva, único local de união com o mundo externo. Os ancestrais são invocados e eles rondam os espaços físicos do terreiro. Vários amuixan (iniciados que portam o ixan) funcionam como guardas espalhados pelo terreiro e nos seus limites, para evitar que alguns Babá ou os perigosos Apaaraká que escapem aos olhos atentos dos Ojé saiam do espaço delimitado e invadam as redondezas não protegidas. Os Eguns são invocados numa outra construção sacra, perto mas separada do grande salão, chamada de ilê awo (casa do segredo), na Bahia, e igbo igbalé (bosque da floresta), na Nigéria. O ilê awo é dividido em uma ante-sala, onde somente os Ojé podem entrar, e o lêsànyin ou balé, onde só os Ojé agbá entram Balé é o local onde estão os idi-egungun, os assentamentos - estes são elementos litúrgicos que, associados, individualizam e identificam o Egun ali cultuado -, e o ojubô-babá, que é um buraco feito diretamente na terra, rodeado por vários ixan, os quais, de pé, delimitam o local. Nos ojubô são colocadas oferendas de alimentos e sacrifícios de animais para o Egun a ser cultuado ou invocado. No ilê awo também está o assentamento da divindade Oyá na qualidade de Igbalé, ou seja, Oyá Igbalé - a única divindade feminina venerada e cultuada, simultaneamente, pelos adeptos e pelos próprios Eguns - Ojé e Amuixan ,atentos ,acompanham Babá Egun na sua caminhada. - Após saírem do ilê awo, os Eguns são conduzidos pelos amuixan até a porta secundária do salão, entrando no local onde os fiéis os esperam, causando espanto e admiração, pois eles ali chegaram levados pelas vozes dos Ojé, pelo som dos amuixan, branindo os ixan pelo chão e aos gritos de saudação e repiques dos tambores dos alabê (tocadores e cantadores de Egun). O clima é realmente perfeito. No balé os Ojé atokun vão invocar o Egun escolhido diretamente no seu assentamento, e é neste local que o awo (segredo) - o poder e o axé de Egun — nasce através do conjunto Ojé-ixan / idi-ojubô. A roupa é preenchida e Egun se torna visível aos olhos humanos.


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O SALÃO E A FESTA O espaço físico do salão é dividido entre sacro e profano. O sacro é a parte onde estão os tambores e seus alabês e várias cadeiras especiais previamente preparadas e escolhidas, nas quais os Eguns, após dançarem e cantarem, descansam por alguns momentos na companhia de outros, sentados ou andando, mas sempre unidos, o maior tempo possível, com sua comunidade. Este é o objetivo principal do culto: unir os vivos com os mortos. Nesta parte sacra, mulheres não podem entrar nem tocar nas cadeiras, pois o culto é totalmente restrito aos homens. Mas existem raras e privilegiadas mulheres que são exceção, como se fossem a própria Oyá; elas são geralmente iniciadas no culto dos Orixás e possuem simultaneamente oiê (posto e cargo hierárquico) no culto de Egun — estas posições de grande relevância causam inveja à comunidade feminina de fiéis. São estas mulheres que zelam pelo culto, fora dos mistérios, confeccionando as roupas, mantendo a ordem no salão, respondendo a todos os cânticos ou puxando alguns especiais, que somente elas têm o direito de cantar para os Babá. Antes de iniciar os rituais para Egun, elas fazem uma roda para dançar e cantar em louvor aos Orixás; após esta saudação elas permanecem sentadas junto com as outras mulheres. Elas funcionam como elo de ligação entre os atokun e os Eguns ao transmitir suas mensagens aos fiéis. Elas conhecem todos os Babá, seu jeito e suas manias, e sabem como agradá-los . Este espaço sagrado é o mundo do Egun nos momentos de encontro com seus descendentes. A assistência está separada deste mundo pelos ixan que os amuixan colocam estrategicamente no chão, fazendo assim uma divisão simbólica e ritual dos espaços, separando a "morte" da "vida". É através do ixan que se evita o contato com o Egun: ele respeita totalmente o preceito, é o instrumento que o invoca e o controla. As vezes, os mariwo são obrigados a segurar o Egun com o ixan no seu peito, tal é a volúpia e a tendência natural de ele tentar ir ao encontro dos vivos, sendo preciso, vez ou outra, o próprio atokun ter de intervir rápida e rispidamente, pois é o Ojé que por ele zela e o invoca, pelo qual ele tem grande respeito. O espaço profano é dividido em dois lados: à esquerda ficam mulheres e crianças e à direita, os homens. Após Babá entrar no salão, ele começa a cantar seus cânticos preferidos, porque cada Egun em vida pertencia a um determinado Orixá. Como diz a religião, toda pessoa tem seu próprio Orixá e esta característica é mantida pelo Egun. Por exemplo: se alguém em vida pertencia a Xangô, quando morto e vindo como Egun, ele terá em suas vestes as características de Xangô, puxando pelas cores vermelha e branca. Portará um oxê (machado de lâmina dupla), que é sua insígnia; pedirá aos alabês que toquem o alujá, que também é o ritmo preferido de Xangô, e dançará ao som dos tambores e das palmas entusiastas e excitantemente marcadas pelos oiê femininos, que também responderão aos cânticos e exigirão a mesma animação das outras pessoas ali presentes. Babá também dançará e cantará suas próprias músicas, após ter louvado a todos e ser bastante reverenciado. Ele conversará com os fiéis, falará em um possível iorubá arcaico e seu atokun funcionara como tradutor. Babá-Egun começará perguntando pelos seus fiéis mais freqüentes, principalmente pelos oiê femininos; depois, pelos outros e finalmente será apresentado às pessoas que ali chegaram pela primeira vez. Babá estará orientando, abençoando e punindo, se necessário, fazendo o papel de um verdadeiro pai, presente entre seus descendentes para aconselhá-los e protegê-los, mantendo assim a moral e a disciplina comum às suas comunidades, funcionando como verdadeiro mediador dos costumes e das tradições religiosas e laicas. Finalizando a conversa com os fiéis e já tendo visto seus filhos, Babá-Egun parte, a festa termina e a porta principal é aberta: o dia já amanheceu. Babá partiu, mas continuará protegendo e abençoando os que foram vê-lo. Esta é uma breve descrição de Egungun, de uma festa e de sua sociedade, não detalhada, mas o suficiente para um primeiro e simples contato com este importante lado da religião. E também para se compreender a morte e a vida através das ancestralidade cultuadas nessas comunidades de Itaparica, como um reflexo da sobrevivência direta, cultural e religiosa dos iorubanos da Nigéria.

EGUNGUN (CULTO AOS ANCESTRAIS)



Oyá não podia ter filhos, e foi consultar o babalaô. Este lhe disse, então,que,se fizesse sacrifícios, ela os teria. Um dos motivos de não os ter ainda era porque ela não respeitava o seu tabu (evó) que proibia comer carne de carneiro. O sacrifício seria de 18.00 mil búzios (o pagamento), muitos panos coloridos e carne de carneiro. Com a carne ela preparou um remédio para que ela o comesse; e nunca mais ela deveria comer desta carne. Quanto aos panos, deveria ser entregue como oferenda. Ela assim fez e,tempos depois, deu á luz nove filhos (número místico de Oyá) . Daí em diante ela também passou a ser conhecida pelo nome de “Iyá omo mésan” , que quer dizer “a mãe de nove filhos” e que se aglutina “Iyansan” . Há outra lenda para explicar o mito de Iyansan: Em certa época, as mulheres eram relegadas a um segundo plano em suas relações com os homens. Então elas resolveram punir seus maridos,mas sem nenhum critério ou limite, abusando desta decisão, humilhando-os em demasia. Oyá era a líder das mulheres, e elas se reuniram na floresta. Oyá havia domado e treinado um macaco marrom chamado Ijimerê (na Nigéria). Utilizara para isso um galho de atorí (ixã) e o vestia com uma roupa feita de vários tiras de pano coloridas, de modo que ninguém visse o macaco sob os panos. Seguindo o ritual, conforme Oyá brandia o ixã no solo o macaco pulava de uma árvore e aparecia de forma alucinante, movimentando-se como fora treinado a fazer.Deste modo, durante á noite, quando os homens por lá passavam, as mulheres (que estavam escondidas) faziam o macaco aparecer e eles fugiam totalmente apavorados.Cansados de tanta humilhação, os homens foram ter com o babalaô para tentar descobrir o que estava acontecendo.Através do jogo de Ifá, e para punir as mulheres, o babalaô lhes conta a verdade. Ele os ensina como vencer as mulheres através de sacrifícos e astúcia. Ogun foi o encarregado da missão. Ele chegou ao local das aparições antes das mulheres. Vestiu-se com vários panos, ficando totalmente encoberto, e se escondeu.Quando as mulheres chegaram, ele apareceu subitamente, correndo,berrando e brandindo sua espada pelos ares.Todas fugiram apavoradas, inclusive Oyá. Desde então, os homens dominaram as mulheres e as expulsaram para sempre do culto de egun; hoje, eles são os únicos a invocá-lo e cultuá-lo.Mas,mesmo assim, eles rendem homenagem a Oyá, na qualidade de Igbalé,como criadora do culto de egun.Convém notar que, no culto, egun nasce no bosque da floresta (igbo igbalé) . No Brasil, no ilê awo, ele nasce no quarto de balé, onde são colocadas oferendas de comidas e realizadas cerimônias aos Eguns. Oyá é também cultuada como mãe e rainha de egun, como Oyá Igbalé.E, como nos explica a lenda,Oyá, a floresta e o macaco estão intimamente ligados ao culto,inclusive em relação á voz do macaco como modo de o egun falar. Existem inúmeros relatos dentro do corpo literário de Ifá falando sobre a origem do culto egúngún, vejamos uma delas agora: De quantro em quatro dias, o que significa uma semana yorubá, ikú vinha á terra de Ilé Ifé empunhando seu cajado da morte (Opá Ikú) e matava as pessoas da cidade indiscriminadamente. Nem mesmo os orixás podiam com a força de Ikú.Um Babalawo chamado Ameiyeguén prometeu salvar as pessoas desse martírio.Para tal feito,preparou uma roupa especial e mágica (aso) com várias tiras de pano, em diversas cores e formas, que tinha o objetivo de ocultar o que debaixo da roupa existisse, e fez sacrifícios propiciatórios para assegurar o intento de salvar os habitantes Ilé ifé do augúrio. No dia em que Ikú apareceu para cumprir com seu objetivo, o sacerdote e seus comandados, que haviam se escondido no mercado por ordem do seu mestre sacerdote, apareceram vestidos, correndo,pulando e gritando com voz gutural e jeito sobrenatural diante da morte.Ela,apavorada,fugiu deixando cair de cajado e,desde então Ikú deixou de atacar sem propósito os habitantes de Ilé Ifé. O cajado da morte ficou sob domínio do mestre sacerdote que com ele passou a controlar a vida sobre a morte, e por mando de Olòdúmarè, o mestre sacerdote Ameiyegún teriam que ensinar as pessoas a cultuarem Egun.Ele e sua família nunca deixariam de prestar culto a Egúngun, afim de não esquecerem o feito de sua vitória, juntamente com a sua corte encantada, com quem venceu Ikú. Mito sobre Alapini e a criação do Culto... Havia na cidade de Oyó, um fazendeiro chamado Alapini, que tinha três filhos chamados Ojéwuni, Ojésamni e Ojérinlo.Um dia Alapini foi viajar e deixou recomendações aos filhos para que colhessem os inhames e os armazenassem,mas que não comessem um tipo especial de inhame chamado “ihobia” , pois ele deixava as pessoas com uma terrível sede.Seus filhos ignoraram o aviso e o comeram em demasia.Depois, beberam muita água e,um a um, acabaram todos morrendo.Quando Alapini retornou, encontrou a desgraça em sua casa.Desesperado, correu ao Babalawo que jogou ifá para ele.O sacerdote disse que ele se acalmasse, e que após o 17º dia fosse ao ribeirão do bosque e executasse o ritual que foi prescrito no jogo.Ele deveria escolher um galho da árvore sagrada atori e fazer um bastão (assim é feito o ixã).Na margem do ribeirão, deveria bater com o bastão na terra e chamar pelos nomes de seus filhos, que na terceira vez, eles apareceriam.Mas ele também não poderiam esquecer de antes fazer certos sacrifícios e oferendas.Assim ele o fez; seus filhos apareceram.Mas eles tinham rostos e corpos estranhos; era então preciso cobri-los para que as pessoas pudessem vê-los sem se assustarem.Pediu que seus filhos ficassem na floresta e voltou á cidade.Contou o fato ao povo,e as pessoas fizeram roupas para ele vestir seus filhos. Desse dia em diante, ele poderia ver e mostrar seus filhos a outras pessoas;as belas roupas que eles ganharam escondiam perfeitamente sua condição de mortos.Alapini e seus filhos fizeram um pacto: em um buraco feito na terra pelo seu pai (ojubô), no mesmo local do primeiro encontro (igbo igbalé), ali seriam feitas as oferendas e os sacrifícios e guardadas as roupas, para que eles as vestissem quando o pai os chamasse através do ritual do bastão.Seguindo o pacto e as instruções do Babalawo, de que sempre que os filhos morressem fosse realizado o ritual após o 17º dia, pais e filhos para sempre se encontraram.E, para os filhos que ainda não tiverem roupas, é só pedir ás pessoas que elas as farão com imenso prazer.Esta lenda é rica em detalhes,nos explica vários ritos e títulos utilizados no culto. Na Nigéria, o culto ao Egúngun está relacionado aos ancestrais.O povo Yorubá acredita nesta energia porque entendem que não existiria o presente e o futuro,sem a existência do passado.O culto é um dos mais difundidos em toda a população Yorubá.Na Nigéria são quase 30 milhões de pessoas que cultuam Egúngun.Para se ter uma idéia da força desta energia,na Nigéria as três energias mais cultuadas são Exu,Ogun e Egúngun. Egúngun é a única energia que dá ao homem condições de ser venerado depois de sua morte,dependendo do histórico da vida da mesma. O culto a Egúngun é altamente mágico e secreto, por isso os Olojés (pessoas que tem o poder de manipular a energia de Egungún) são respeitadíssimos.Todas as pessoas podem se da energia de Egúngun para solucionar problemas no amor,trabalho,saúde,espiritualidade, etc. Egun = Babaegun (uma coisa só) = Energia Positiva Oku orun (cidadão do orun) = Energia positiva Oku (espírito sem procedência) = Energia negativa Na Nigéria,quando uma pessoa morre muito cedo,a sociedade e as pessoas ficam tristes,pois acham que a pessoa não gozou de todos os benefícios terrestres,não aprendeu o que poderia ter sido aprendido, e por isso fazem,durante o enterro, um ritual na floresta chamado Iremoje, onde a família da pessoa morta pede para que nunca mais aconteça aquilo de novo na família da pessoa.Pessoas que morrem muito cedo,não tiveram um destino bem aventurado no contexto deles.Um outro ritual que existe é o chamado Axexe,que também é um ritual fúnebre para pessoas que morrem com mais de noventa anos,para pessoas que são anciãs.No Axexe o povo fica alegre e prepara a pessoa como se fosse para uma festa:colocam a melhor roupa,penteiam os cabelos do morto,se for mulher fazem trancinhas e pintam o rosto da pessoa e dependendo do grau financeiro da pessoa eles dão uma festa para comemorar o falecimento. De votos de Egúngun podem chegar a uma evolução espiritual muito rápida,por se Egungun ligado á ancestralidade,isso que dizer,a pessoa desenvolve uma intuição,percepção e sabedoria muito apurada tornando-se assim um forte (olojé).Olojé são pessoas que manipulam as energias de Egungun.Esse título é concebido a homens.As mulheres não podem manipular essa energia,mas podem se beneficiar através dos olojés. Obs:A palavra Egún significa osso ou simbolicamente espírito.Egún também é o final do nome desse mestre sacerdote “ameiyEGÚN”.Hoje os Egúns são conhecidos por esse nome dentro as sociedade yorubá em honra desse mestre sacerdote.Os Egúns sempre aparecem vestidos com as roupas que o sacerdote mandou fazer para vencer Ikú,o sacerdote desse culto sempre vem segurando o bastão que a morte deixou cair em sua fuga(kujé/ixan) e controla o poder da morte.


domingo, 10 de julho de 2011

pQualidades do Orixá Esu

Exu Oro
Exu Oro é o responsável pela transmissão do poder através da fala. Ele é quem dá para os sacerdotes e sacerdotisas o poder de acionar as forças espirituais através das evocações sagradas: preces , encantações , cânticos . Existem algumas palavras de grande axé usadas nos rituais sagrados que muitas vezes não se conhece a tradução. Elas funcionam como códigos para abrir certos portais do mundo Invisível (ORUN), acionando o poder para transformar nossas vidas. Somente Exu Oro conhece estes segredos, e somente ele pode dar a autorização necessária para entrarmos nestes mistérios.

Oriki : Exu Oro ma ni ko. Exu Oro ma ja ko. Exu Oro Tohun tire site. Exu Oro Ohun Otohun ni ima wa kiri. Axé
Tradução; O Divino Mensageiro do Poder da Palavra causa confronto. Divino Mensageiro do Poder da Palavra não me cause confronto. O Divino Mensageiro do Poder da Palavra tem a voz do poder. O Divino Mensageiro do Poder da Palavra tem uma voz que ressoa por todo o Universo.
Que assim seja (axé).

Exu Opin
É o Exu que deve ser evocado sempre que queremos estabelecer um local como sagrado. É ele quem faz a demarcação dos limites que separam o espaço sacralizado do espaço comum. Fazem-se uma construção qualquer e nela queremos instalar os nossos assentamentos de Orixás, além de evocar o exu do nosso caminho pessoal será necessário pedir a Exu Opin que aceite uma oferenda para consagrar o lugar. A partir daquele local deve passar a ser usado exclusivamente para fins religiosos, e deve haver uma separação bem nítida entre este espaço e o espaço livre para a circulação.

No caso de se colocar, por exemplo, um assentamento dentro de casa, é aconselhável colocá-lo sobre uma esteira e, se possível cercar em volta com uma outra esteira. Sempre pedindo a exu Opin para sacratizar o ambiente, não importa a localização ou tamanho. Isto é válido, também, para os ambientes ritualísticos estabelecidos ao ar livre.

Exú GOGO
Este caminho de Exu *Divino Executor*. É conhecido também como o Exu responsável peta recompensa divina a todos os atos dos seres humanos (e também dos seres espirituais). Exu Gogó conhece todas as nossas reencarnações estende sua ação através destes diversos ciclos encarnatórios. Aquilo que costumamos chamar lei do retomo é exatamente a função do exú Gogó fazer este retorno acontecer: O bem recompensado com o bem; o mal recompensado com o mal. Dentro destas atribuições de cobrança espiritual e material encontra-se sempre a chance de todos se arrependerem, pagarem por seus erros e tomarem um outro ritmo de vida. Quando isto não acontece numa vida, poderá ser resgatado numa próxima encarnação.

Oriki:
EXÚ GOG Ó O, ORI MI MA JE NKO O. EX Ú GOGO O, OR Í MA JE NKO O. EB LOWO RE GOGO? O OKAN LOWO EX Ú GOG Ó BABA AWO. AXÉ.
Tradução:
Divino Mensageiro do Pleno Pagamento guie minha cabeça para o pleno caminho. Divino Mensageiro do Pleno Pagamento guie minha cabeça para o reto caminho. Quanto tu estas pedindo para o Divino Mensageiro do Pleno Pagamento? O Divino Mensageiro do Pleno Pagamento, o Pai do Mistério, está pedindo por um centavo. Que assim seja.

Exú WARA
Ele é o exú que controla os relacionamentos Interpessoais. Ou seja: amizade, sociedade de negados, casamento, companheirismo de trabalho, vinculo familiar, fraternidade religiosa... Enfim, todos os tipos de relacionamentos só possuem um estado de plena compreensão, harmonia e verdadeira colaboração quando aprovados por EXÚ WARA.
Sempre que se planeja estabelecer um novo vinculo é aconselhável consular Exú Wara e, de preferência, fazer-lhe uma oferenda de apaziguamento, para que tudo possa ocorrer sempre na mais perfeita ordem, sem possibilidades de atrito, confusão, mal-entendidos, etc...

Oriki de Exu WARA:
EXÚ WARA NA WA O. EXÚ WARA O. EXÚ WARA NA WA KO MI O, EXÚ WARA O. BA MI WA IYAWO O, EXÚ WARA O. MA JE ORI MI O BAJE O, EX Ú WARA O. ME JE ILE MI O DARU. EXÚ WARA O, AXÉ.
Tradução: Divino Mensageiro dos Relacionamentos Pessoais traga a boa fortuna. Divino Mensageiro dos relacionamentos pessoais. Divino Mensageiro dos Relacionamentos Pessoais.

AS QUALIDADES MAIS CONHECIDAS SÃO:

Exú Elegbára = senhor do poder
Exú Yangi = pedra vermelha de laterita, primeira protoforma existente – água + terra
Exú Àgbá = pai-ancestre (representação coletiva de todos os exús individuais)
Exú Obá = rei-de-todos
Exú Alakétu = título dado a exú pelos kétu da Bahia - rei do povo Kétu
Exú Elebo = senhor-das-oferendas
Exú Ojìse-ebo = encarregado-e-transportador de oferendas
Exú Elérú = senhor do erú (carrego)
Exú Olòbe = proprietário e senhor da faca
Exú Enú-gbárijo = explicitador de mensagens
Exú Bara = o rei do corpo (obá + ara) (princípio de vida individual)
Exú Odara = aquele que guia (mostra o caminho, vai na frente)Qualidades do Orixá Ogun

Como diz Altair T´ogun em seu livro, não existe qualidade de orixá, mas sim diferentes meios de cultuá-lo baseado em cultura advinda de várias cidades africanas diferentes, porém a partir de hoje estarei escrevendo sobre suas qualidades e começarei com o Orixá Ogun.

- Ògún Meje - É o mais velho de todos, a raiz dos outros, Ògún completo, velho solteirão rabujento.

- Ôgúnjá - é um Ògún, como indica seu nome, particularmente combativo. Amigo do cachorro que lhe é consagrado é como ele um protetor seguro. Mas tem temperamento rabugento, solitário, veste-se de verde escuro e usa contas verdes..Dizem que acompanha Ogúnté.

- Ògún Ajàká - é o "verdadeiro Ògún guerreiro", sanguinririo, que em princípio se veste de vermelho. Teria sido rei de Òyó e irmão de Sàngó. Ajàká é um tipo particularmente agressivo de Ògún, um militar acostumado a dar ordens e a ser obedecido, seco e voluntarioso, irascível e prepotente.

- Ògún Xoroke - usa contas de um azul escuro que se aproxima do roxo do colar de Esú, seu irmão e amigo íntimo. "Xoroke é um Ògún que tende a confundir-se com Esú, agitado, instável, suscetível e manhoso.

- Ogun Meme - veste-se igualmente de verde e usa contas verdes, como Ogunjá, mas de uma tonalidade diferente.

Ògún Wori - (Warri, ou wori: Yorübá) - é um Ògún perigoso, dado da feitiçaria, ligado ao màriwò, aos antepassados.; Tem temperamento difícil, suscetível, autoritário o espírito dogmático.

Ògún Lebede (Alagbede) - é o Ògún dos ferreiros, marido de Yémánjá Ogúnté e pai de Ògún Akoro. Representam um tipo mais velho de Ògún, trabalhadores conscienciosos, severos, que “não brincam em serviço”, ciente de seus deveres como de seus direitos, exigente e rabujento.

Ògún Akoró - é o irmão de Òsòsi, ligado a floresta, qualidade benéfica de Ògún invocada no pàdé. Filho de Ogúnté, Akoró é um tipo de Ògún jovem e dinâmico, entusiasta, era preendedor, cheio de iniciativa, protetor seguro, amigo fiel, e muito ligado a mãe.

Ògún Oniré - é o título do filho do Ògún que reinou sobre Iré, o dono de Iré, primeiro filho de Odúduwà. Oniré é um Ògún antigo que desapareceu debaixo da terra. Usa também contas verdes. Guerreiro impulsivo é o cortador de cabeças, ligado à morte e aos antepassados; orgulhoso, muito impaciente, arrebatado, não pensa antes de agir, mas acalma-se rapidamente.

Ògún Olode - é o Ògún dos caçadores, originário de Kétu. Não come galo por ser um animal doméstico. Amigo do mato, dos animais, conhecedor dos caminhos, e é um guia seguro. Seu temperamento solitário assemelha ao de Òsòsi.

Igbo - é outro

Ògún Popo – seria o nome de Ògun quando foi a terra dos jeje, é um tipo fanático.

Qualidades do Orixá Odé


Filho de YEMONJA e ÒÒXÀÀLÀ é o deus da caça e vive nas florestas, onde moram os espíritos dos antepassados. Tem a virtude de dominar os espíritos da floresta.
Na África era a principal divindade de ILOBU, onde era conhecido pelo nome de YRINLÉ ou INLÉ, um valente caçador de elefantes. Conduziu seu povo de ILOBU a guerra e os ensinou a arte de guerrear, permanecendo até hoje nesta cidade.
Ocupa um lugar de destaque nos Candomblés em Salvador, isto porque é o patrono de todos os terreiros tradicionais.
ÒXÓÒSÌ é o único Òrixá que entra na mata da morte, joga sobre si uns pós-sagrados, avermelhados, chamados AROLÉ, que passou a ser um de seus dotes. Este pó o torna imune à morte e aos EGUNS.
Sendo ele um rei, carrega o EYRUQUERE (espanta moscas) que só era usado pelos reis africanos, pendurado no saiote.
Come com ÈXÙ e mora do lado esquerdo, onde está situado toda a sua força. Ele é um EBORÁ da esquerda. Cura-se e raspa-se pelo lado esquerdo. OLODÉ é o ÈXÙ de ÒXÓÒSÌ e come pelo lado esquerdo.
QUALIDADES


YBUALAMO

É velho e caçador. Come nas águas mais profundas. Conta um mito que YBUALAMO é o verdadeiro pai de LOGUNEDE. Apaixonado porÒXÚN e vendo-a no fundo do rio, ele atirou-se nas águas mais profundas em busca do seu amor.
Sua vestimenta é azul celeste, como suas contas. Come com OMOLU AZOANI. Usa um capacete feito de palha da costa e um saiote de palha.


INLE

É o filho querido de OXOGUIAN e YEMONJA. Veste-se de branco em homenagem a seu pai. Usa chapéu com plumas brancas e azuis claro. É tão amado que OXOGUIAN usa em suas contas um azul claro de seu filho. Come com seu pai e sua mãe (todos os bichos) e tem fundamento comÒGÚNJÁ.

DANA DANA

Tem fundamento com ÈXÙ, ÒSÓNYÍN. ÒXÙMÀRÈ e OYA. É ele o Òrixá que entra na mata da morte e sai sem temer EGUN e a própria morte. Veste azul claro.

AKUERERAN

Tem fundamento com ÒXÙMÀRÈ e ÒSÓNYÍN. Muitas de suas comidas são oferecidas cruas. Ele é o dono da fartura. Ele mora nas profundezas das matas. Veste-se de azul claro e tiras vermelhas. Suas contas são azul claro. Seus bichos são: pavão, papagaio e arara, tiram-se as penas e se solta o bicho.

OTYN

Guerreiro e muito parecido com seu irmão ÒGÚN, vive na companhia dele, caçando e lutando. É muito manhoso e não tem caráter fácil. Muito valente este sempre pronto a sacar sua arma quando provocado. Não leva desaforos e castiga seus filhos quando desobedecido. Usa azul claro e o vermelho, conta azul, leva capangas, roupas de couro de leopardo e bode. Tem que se dar comida a ÒGÚN.

MUTALAMBO

Tem fundamento com ÈXÙ.

GONGOBILA

É um ÒXÓÒSÌ jovem. Tem fundamento com ÒÒXÀÀLÀ e ÒXÚN.

KOIFÉ

Não se faz no Brasil e na África, pois, muitos de seus fundamentos estão extintos. Seus eleitos ficam um ano recolhidos, tomando todos os dias o banho das folhas. Veste vermelho, leva na mão uma espada e uma lança. Come com ÒSÓNYÍN e vive muito escondido dentro das matas, sozinho. Suas contas são azuis claras, usa capangas e braceletes. Usa um capacete que lhe cobre todo o rosto. Assenta-se KOIFÉ e faz-se YBO, YNLÉ ou ÒXÚN KARÉ; trinta dias após, faz-se toda a matança.

AROLÉ

Propicia a caça abundante. É invocado no PADE. É um dos mais belos tipos de ÒXÓÒSÌ. Um verdadeiro rei de KÉTU. As pessoas dele são muito antipáticas. Jovem e romântico, gosta de namorar, vive mirando-se nas águas, apreciando sua beleza. Come com ÒGÚN e ÒXÚN. Veste azul claro, aprecia a carne de veado e é ágil na arte de caçar.

ODE KARE

É ligado as águas e a ÒXÚN, porém os dois não se dão bem, pois, exercem as mesmas forças e funções. Come com ÒXÚN e ÒÒXÀÀLÀ. Usa azul e um BANTÉ dourado. Gosta de pentear-se, de perfume e de acarajé. Bom caçador mora sempre perto das fontes.

ODÉ WAWA

Vem da origem dos Òrixás caçadores. Veste-se de azul e branco, usa arco e flecha e os chifres do touro selvagem. Come com ÒÒXÀÀLÀ e XÀNGÓ, pois, dizem que ele fez sua morada debaixo da gameleira. Está extinto, assenta-se ele e faz-se AIRÁ ou ÒXÚN KARÉ.

ODÉ WALÈ

É velho e usa contas azuis escuro. É considerado como rei na África, pois, seu culto é ligado, diretamente, a pantera. É muito severo, austero, solteirão e não gosta das mulheres, pois, as acha chatas, falam demais, são vaidosas e fracas. Come com ÈXÙ e ÒGÚN.

ODÉ OSEEWE OU YGBO

É o senhor da floresta, ligado as folhas e a ÒSÓNYÍN, com quem vive nas matas. Veste azul claro e usa capacete quase tampando o seu rosto.

SUAS ERVAS:
- João borandi, São Gonçalinho, espinho cheiroso, alecrim do campo, maminha de vaca, abre caminho, alfavaca, saião, ingá, acácia jurema, alecrim caboclo, arruda miuda, bredo de Santo Antonio caiçara, erva curraleira, aperta ruão, groselha (folhas) , pitanga, rabo de tatu, patchulim ( folhas ) e língua de vaca.

LENDA
Conta-se que um grande caçador entrou na mata com seu filho,LOGUNEDE, ensinando-lhe a arte de caçar e manejar o arco e a flecha, Após inúmeras caçadas, LOGUN sentou-se embaixo de uma árvore para descansar.

Nessa árvore pousou um pássaro e ÒXÓÒSÌ preparou sua arma e atirou. Acertou em cheio pássaro e, também, uma colméia de abelhas. Elas foram cair justamente sobre a cabeça de LOGUNEDE, que sem ter como se defender foi picado. ÒXÓÒSÌ vendo o desespero do filho correu a acudi-lo, sendo mordidas várias vezes. Conseguindo fugir, deitou seu filho em folhas frescas e, sem saber o que fazer pôs-se a chorar.

Eis que o Òrixá OMOLÚ vendo aquilo, parou e apiedou-se do estado de LOGUNEDE, pois, a criança estava morrendo. OMOLÚ tirou de sua capanga água de cana e gengibre, pilou e aplicou sobre os ferimentos, aliviando as dores. Após isto, fez o mesmo com ÒXÓÒSÌ, curando-o completamente.

ÒXÓÒSÌ então lhe disse: Senhor dos aflitos ponho o meu reino a seus pés e toda a minha caça que daqui por diante eu conseguir, comeremos juntos. OMOLÚ agradeceu e seguiu seu caminho. Então ÒXÓÒSÌ jurou que nunca mais comeria o mel, pois, o mel o faria lembrar todo o sofrimento seu e de seu filho. Por isso ÒXÓÒSÌ não leva mel e LOGUNEDE é lavado com açúcar mascavo e gengibre. Toda pessoa de LOGUN tem que assentar AZOANI. Tem que ter um pedaço de colméia para quando LOGUN chegar, depois se enrola num murim e joga-se no rio. Também é proibido aos filhos de LOGUN comerem palmito, fígado de boi e caças.

Parece que existe, para cada òrìsà que conhecemos, uma “qualidade”que é logo citada por alguém, mas, como costumo dizer aos meus amigos, para mim só existem qualidades é de sabonete, sabão em pó, margarina; mesmo assim, se formos investigar a fundo veremos que em sua maioria pertencem à mesma indústria, mudando tão somente o nome fantasia, não passando de maquiagem os seus nomes. Tomo primeiramente como exemplo Òsóòsì, onde temos algumas “qualidades” como:

Ode Inlè: É outro òrìsà ode cujo culto original se perdeu no tempo e como no caso de alguns outros òrìsà, acabou “virando qualidade a mais, de Òsóòsì”.

Ode Ofà: Não é qualidade, significa, “o arco e a flecha do caçador, sendo de Òsóòsì o seu principal apetrecho”.

Ode táfà-táfà: O caçador arqueiro, aquele que exímio atirador de flechas, é predicado que se diz de Òsóòsì.

Ode Dáná-dáná: Literalmente, o caçador acendeu o fogo; quando termina a sua caçada ele acende o fogo para cozinhá-la e preparar sua refeição.

Ode Erìnlè: É também um outro òrìsà ode, que, a exemplo de Inlè, cujo culto também caiu no obscurantismo, acabando por tornar-se “qualidade de Òsóòsì”.

Ode Akúeran: ( Ode ókúeran ); O caçador, aquele que mata animal (a caça), é o que faz todo caçador.

Ode tókúeran: O caçador é quem mata a caça, diz-se da atuação do caçador.

Ode Otókan sósó: Não é qualidade, é um oríkì que significa o caçador que só tem uma flecha . Ele não precisa de mais nenhuma flecha porque jamais erra o alvo.
Título que Òsóòsì recebeu ao matar o pássaro de Ìyámi Eléye. Não fazendo parte do rol dos caçadores que possuíam várias flechas, Òsóòsì era aquele que só tinha uma flecha.
Os demais erraram o alvo tantas vezes quantas flechas possuíam, mas, Òsóòsì com apenas uma flecha foi o único que acertou o pássaro de Ìyámi, ferindo-o com um tiro certeiro no peito.
Por essa razão é que ele não recebe mel, pois o mel é um dos elementos fabricado pelas abelhas, que são tidas como animais pertencentes a Òsún, mas, também as Ìyámi Eléye.
Então, é èèwò (proibição) para Òsóòsì. Por essa razão também, é que se dá para Òsóòsì o peito inteiro das aves, como reminiscência desse ìtàn.

Qualidades do Orixá Sango

Suas cores são o vermelho e branco
Sua saudação é: Kawó kabiyèsílé! - Venham ver o Rei descer sobre a terra!
Em sua dança, o alujá, Xangô brande orgulhosamente seu oxé e assim que a cadência se acelera, ele faz um gesto de quem vai pegar num labá (sua bolsa) imaginário, as pedras de raio, e lançá-las sobre a terra.
QUALIDADES

1) Dadá
2) Afonjá
3) Lubé
4) Ogodo
5) Koso
6) Jakuta
7) Aganju
8) Baru
9) Oloroke
10) Airá Intile
11) Airá Igbonam
12) Airá Mofe ou Adjaos
XANGO: AIRÁ (AGOYNHAM); AFONJÁ; AGANJÚ; AGOGO; BARU; ALAFIM

Alguns constam ainda Oranian, que seria seu pai; Dadá seu irmão, Aganju um dos seus sucessores, Ogodo que segura dois oxés, sendo o seu èdùn àrà composto de dois gumes e é originário de tapá; Os Airá seriam muito velhos, sempre vestidos de branco e usando segi (contas azuis) em lugar dos corais vermelhos, e seriam originários da região de Savê.

Qualidades do Orixá ObalúaiyéÉ o rei da terra,
Na Nigéria os Owo Érindínlogun adoram Obàluáyê e usam, no punho esquerdo, uma tira de Igbosu (pano africano) onde são costurados cauris esó.

Sua Saudação é "Atoto" quer dizer; Silêncios escutem; hora da devoção.
Sua vestimenta é feita de ìko, é uma fibra de ráfia extraida do Igí-Ògòrò, a "palha da costa", elemento de grande significado ritualístico, principalmente em ritos ligados à morte e o sobrenatural, sua presença indica que algo deve ficar oculto.

Compostos de duas partes o “Filá” e o “Azé", a primeira parte, a de cima que cobre a cabeça é uma espécie de capuz trançado de palha da costa, acrescido de palhas em toda sua volta, que passam da cintura, o Azé, seu asó-ìko (roupa de palha) é uma saia de palha da costa que vai até os pés em alguns casos, em outros, acima dos joelhos, por baixo desta saia vai um Xokotô, espécie de calça, também chamado "cauçulú", em que oculta o mistério da morte e do renascimento.

Nesta vestimenta acompanha algumas cabaças penduradas, onde supostamente carrega seus remédios. Ao vestir-se com ìko e cauris, revela sua importância e ligação com a morte.
Sua festa anual é o Olubajé, (Olu-aquele que, ba-aceita, jé-comer; ou ainda aquele-que-come), são feitas oferendas e são servidas suas comidas votivas, seus "filhos" devidamente "incorporados" e paramentados oferecem as mesmas aos convidados/assistentes desta festa, em folhas de bananeira ou mamona.

Suas quizilas (proibições) mudam de casa para casa, e de nação para nação; carneiro, peixe de rio de couro, caranguejo, carne de porco, pipoca, jaca... Tido como filho de Nànà, no Brasil, sua origem, forma, nome e culto na África é bastante variado, de acordo com a região, essa variação de nomes é de conformidade com a região, Obàluáyê/Xapanã em Tapá (nupê) chegando ao território Mahi ao norte do Daomé;Sapata é sua versão fon, trazido pelos nagôs. Em alguns lugares se misturam em outros são deuses distintos, confundido até com Nànà Buruku; Omolu em keto e Abeokutá.

Seu parentesco com Oxumare e Iroko é observado em Keto (vindo de Aisê segundo uns e Adja Popo segundo outros), onde pode se ver uma lança (oko Omolu) cravada na terra, esculpida em madeira onde figuram esses três personagens superpostos, também em Fita próximo de Pahougnan, território Mahi, onde o rei Oba Sereju, recebera o fetiche Moru, três fetiches ao mesmo tempo Moru (Omolu), Dan (Oxumare) e seu filho Loko (Iroko).
QUALIDADES

Jagun Agbagba (ligação com Oyá)
Omolu
Obàluáyê
Soponna/Sapata/Sakpatá
Afoman/Akavan/Kavungo (ligação com Exú) afomo; contagiante, infeccioso
Savalu/Sapekó (ligação com Nana)
Dasa
Arinwarun (wariwaru) título de xapanan
Azonsu/Ajansu/Ajunsu (ligação com Oxalá, Oxumare)
Azoani (ligação com Yemanjá e Oyá)
Posun/Posuru
Agoro
Tetu/Etetu
Topodun
Paru
Arawe/Arapaná (ligação com oyá)
Ajoji/Ajagun (ligação com Ogun, Oxagian)
Avimaje/Ajiuziun (ligação com Nana, Ossain)
Ahoye
Aruaje
Ahosuji/Segí (Ligação com Yemanjá, Oxumare/Besén).Qualidades do Orixá Obá

Sua cor é vermelha. Sua saudação: Oba sire (Obá xirê)
QUALIDADES

1) Obá Gideo
2) Obá RewáQualidades de Oxun

Òsun, divindade feminina por excelência, é a filha predileta de Òsàlá e de Yemánjá. Alguns dão Òsun por fruto de uma relação ilícita de Yémánjá com Ifá, mas ela também aparece, como outras versões míticas, como mulher deste último; ela está relacionada como a dona do jogo divinatório.

Os mitos mostram-nos Òsun casada com Òsòsi e mãe de Logun Edé; às vezes ela cria Yasan, outras vezes, na qualidade de co-esposa de Òsòsi com Yasan, ela cria os filhos que esta última abandona. Òsun, mulher volúvel, engana Osòsi com Sàngó, razão pela qual, desgostoso, o deus da caça resolve ir viver sozinho na floresta. Ela seduz Omolu, deixando-o perdidamente apaixonado, e obtém dele que afaste a peste do reino de Sàngó. Mas Òsun é unanimemente considerada como a esposa de Sàngó que por ela apaixonou-se, o como rival de Yasan e de Obá com as quais disputa os favores, do senhor do trovão.

Òsun divindade das águas doces e do rio Òsun no país ijèsà, é ligada à família real de Osogbo. Foi trazida pelos escravos Ijès, e é considerada como Orisá dessa nação; òsun é a deusa dos rios, fontes e regatos, das águas que nascem da terra.

Não é uma divindade das águas salgadas, embora receba em dezembro um presente no mar, juntamente com Yémánjá. Òsun é essencialmente a divindade dás mulheres, e preside às funções fisiológicas femininas, à menstruação, à gravidez, ao parto. Pode castigar suas filhas provocando-lhes hemorragias, ou tirando-lhes a menstruação antes do tempo. Òsun “olo kiki” “(dona do ekódíde), transformou o sangue da governanta de Òsàlá em ekódíde, pena do papagaio da Costa cuja cor vermelha é associada ao sangue menstrual e que evoca a idéia do nascimento, da fecundidade e da riqueza.

Òsun, divindade da gestação e do nascimento desempenha, pois importante função nos ritos de iniciação. Ela orna as crianças, e foi ela quem criou os filhos do Yasan”.

"IYA MI TI TO SO OKU DE À IY É” - (ela transforma a morte em vida)
“ODI ONA KU ITA Ò RUN” - (ela fecha o caminho da morte)

Òsun também é uma mulher-menina que brinca de boneca. Sua relação com a maternidade exprime-se através de sua associação com o peixe, como no caso do Yémánjá; ela é representada sob a forma de uma sereia que é levada em procissão no dia do ipété, ou às vezes na forma de um peixe, símbolo da fecundidade e da fartura. Seu abèbé é geralmente enfeitado de um pequeno peixe ou de uma sereia. Generosa, nada recusa, e nunca se enfurece, o que pode acontecer com Yémánjá.

Fecundidade e fertilidade significam por extensão abundância e fartura, òsun é a divindade da riqueza. "A WURA OLU" (a dona do ouro) O pássaro de òsun, segundo me informaram, é o ADÀBÁ tipo de pombo de olhos vermelhos.

Por outro lado, òsun desempenha importante papel no jogo de búzios, pois ela é quem formula as perguntas às quais Esu responde.
Em outros terreiros pode ser assentada junto com Sàngó. Seu assento é uma sopeira de louça tampada com desenhos amarelados de tonalidade clara contendo seus otá, seixos redondos de cor também amarelada, e sua ferramenta, geralmente um pequeno abèbe de latão, imersos no mel. O peji é enfeitado de bonecas, de flores e frascos de perfume; òsun é representada sob a forma de uma sereia que sai em solene procissão numa charola, no dia do Ipétè de òsun.

O dia do òyè de òsun é sábado, dia das águas; oferecem-lhe nesta ocasião omolukum, ovos cozidos, arroz, o ègbo de milho de Òsàlá. Nos dias da obrigação, ela pode receber uma cabra de cor amarelada; os animais de dois pés que acompanham são geralmente pombas ou galinhas. Mas, òsun aprecia igualmente pato e conquém. Suas comidas secas são as já citadadas omolukum, ipété, adun, isu, feijão preto, milho com coco, èkó, alua.

O ovo, sobretudo é consagrado a òsun, pela cor amarelo dourado de sua gema e por representar a gestação. Òsun adora o mel, doce como ela. Òsun; como era de se prever, não suporta o carneiro, e os filhos de Òsun não podem por esta razão assistir ao sacrifício na festa de Sàngó. Quiabo e mamão são proibidos.

Divindade calma veste-se sempre de cores claras, de preferência amarelas que é a sua cor consagrada; porém, dependendo da qualidade, òsun guerreira pode vestir-se de cor de rosa, òsun velha de branco e azul claro; òsun Ijimu, por exemplo, usa uma saia azul claro, òja e adé cor de rosa. Òsun leva na mão direita seu leque ritual, o abèbé de latão ou qualquer outro metal dourado, com uma sereia, um peixe ou até mesmo uma pequena pomba no centro.

O número de òsun sendo dezesseis, o colar terá dezesseis fios, dezesseis firmas (ou duas, ou quatro) que podem ser de divindades com as quais ela tem afinidade, ou com as quais sua filha estiver relacionada: Òsòsi, Sàngó, Yémánjá, por exemplo. Òsun dança os ritmos ijesa, com passos miúdos, segurando graciosamente a saia.

O toque Ijèsà é ritmado como o balanço das águas tranqüilas, e muito apreciado pelos fiéis. Quando estão Presentes Òsòsi e Logun Edé acompanham òsun. ògún também dança com òsun os ritmos Ijèsà, assim como òsányín. No terreiro jeje do Bogun, òsun (ÍYÁLODE) dança o bravum como Naná. Ela se banha no rio, penteia seus cabelos, põe suas jóias, anéis e pulseiras. No dia do deká de uma filha de Yasan (Oya Bale) daquela casa, òsun manifestou-se para disputar Sàngó, empurrando-a e dançando, provocante, diante do deus do trovão.

Dizem que há dezesseis òsun; obtive dados sobre as seguintes:

- ÒSUN ABALU (Agba ilu) é uma velha òsun, a mais idosa de todas, e chefe das mulheres. Maternal avó amorosa é uma mulher que tem numerosos filhos e netos. Mas é bastante severa e autoritária. Usa azul claro. E abèbé

- ÒSUN IJIMU (ou Ajímu, ou Jimu) é outro tipo de Òsun velha. Veste-se de azul claro ou cor de rosa. Leva abèbé e seus colares são feitos de contas de cristal amarelo escuro. Representa um tipo semelhante a Abalu, mas talvez mais meiga.

- IYA OMI é a òsun saudada no siré, também idosa. É aquela que faz as perguntas a Esu no jogo divinatório de Ifá.

- ÒSUN ABOTO é uma òsun muito jovem e vaidosa, que usa colares de contas de louça amarelo claro.

- ÒSUN APARÁ seria a mais jovem das Òsun, e um tipo guerreiro que acompanha Ògún (ou Sàngó) vivendo com ele pelas estradas; dança com ele quando se manifestam, juntos numa festa; leva uma espada na m ão e pode vestir-se de cor de rosa.

- ÒSUN AJAGURA, outra òsun guerreira que leva espada, jovem, casada com Aganju, rival de Yasan. Representa um tipo semelhante a Apará; Apara parece, porém mais agressiva, e Ajugura mais orgulhosa.

- YEYE OKE é, provavelmente, a mesma que Yeye Loke, tipo muito guerreiro.

- YEYE PONDÁ (ou òsun Ipondá ) é também uma òsun Guerreira, casada com Òsòsi Iboalama, mãe de Logun Edé . Yeye Pondá é a verdadeira òsun ijesa que veio de Ijesa ou de Ipondá Vive no mato com o marido, leva uma espada e veste-se de amarelo ouro. E desconfiada, astuta, observadora, intuitiva.

- YEYE ODO é a òsun das fontes; talvez seja a mesma que íyá mi Odo ou Iya Nodo, um tipo Yemánjá.

- YEYE OGA é uma òsun velha e rabugenta.

- YEYE KARÉ é um tipo de òsun mais velha, autoritária é guerreira e agressiva.

- ÒSUN Ê WUJ Í é uma òsun maternal e generosa, saudada no pàdé.

- YEYE IPETU deve ser Oya Petu.

Como sacrifício aceita

Pepeyé (pata), atéeute (cabra amarela), odá (bode castrado).
Omolokun - feijão fradinho, camarão e ovos cozidos.
ipetè - massa de inhame cozida temperado com cebola e camarão seco
Ariokô - feito com feijão fradinho, galinha e mel (comida na nação de Angola)
Wuado - milho torrado e moído com mel
Moinmoin - parecido com o vatapá

Seja qual for é feita com azeite doce, o dendê é somente para certas qualidades as quais tem fundamento com os orisás que pegam dendê
Come também ekó, papa de milho, obi, orogbô, ewé, egbó, arroz mel.
Suas filhas não podem comer quiabo, mamão, pombo ou pato.Qualidades de Yemonjá

São 16 as qualidades, na realidade não são qualidades, cada uma é um orisá individual (independente) da outra.

EWO (PROIBIÇÕES):

Azeite de dendê, sal por ser orisá odo ( água doce).

ASDGBA OU SOBA - é a mais velha manca e rabugenta, gosta de fiar seu cristal, comanda caçadas mais profundas do oceano, afinidade com Nana não se dá etu. Veste branco ou vestes sem branco.

OGUNTÉ - Pela hierarquia é a Segunda, considerada nova guerreira, dona da espada, esposa de Ogun ferreiro e mãe de Ogum Akorô e Osossi, veste branco e azul, em cima do okutá pode levar em vez do abebê, miniatura de um facão.

YA SESSU - Além do assentamento, tem que se assentar Osun e Obaluayê, no seu assentamento leva corais e 8 conchas brancas, veste branco.

IYAMI ODO - tem aproximação Osum e Yemohjá, água doce sendo muito feminina e vaidosa.

A OYO - benéfica, muito feminina, saudada na cerimônia do padê, veste branco, rosa e azul claro.

IYWEA - igual a Ewa não tem ligação com santo nenhum.

IYEMOYO - ligação com Osalá, fundamento está no ori, representa a vida, pode curar doenças da cabeça.

IYA SUSSURE - ligada à gestação

São sete conhecidas e seus nomes diferem conforme região:

1) Yemoja Ogunte (esposa de Ogum Alagbedé)
2) Yemoja Saba (fiadeira de algodão, foi esposa de Orunmilá)
3) Yemoja Sesu/Susure (voluntariosa e respeitável, mensageira de olokun)
4) Yemoja Tuman/Aynu/Iewa
5) Yemoja Ataramogba/Iyáku (vive na espuma da ressaca da maré)
6) Iya Masemale/Iamasse (mãe de Xangô)
7) Awoyó/Iemowo (a mais velha de todas, esposa de Oxalá)

Alimentos:
Ekó, isú, abado min. (arroz), obi, orobô.
Bichos:
(agbo) carneiro, odá (bode castrado), euré, cabara, ajapá, adie.
Coquem não é aconselhada pra qualquer qualidade, toda comida é feita sem sal, tempero: azeite doce e mel.

Qualidades de Oxalá

Os deuses da família de Orsalá - Òbatalá.
O Orisá ou Rei do pano branco deveriam ser sem dúvida, os únicos a serem chamados Orisas sendo os outros deuses chamados por seus próprios nomes, ou, então sob a denominação mais geral de Ebora para es deuses masculinos o termo imole empregado abrangeria o conjunto dos deuses yorubanos.

Os Orisas Funfun seriam em número de cento e cinqüenta e quatro, aqui escreverei sobre algum deles:

ORISÁ OLOFON AJIGÚNA KOARI - aquele que grita quando acorda (conhecido por nós só pelo nome de Oxalufon)

ORISÁ OGIYAN EWÚLEE JIIGBO - senhor de Ejigbô (conhecido pelo nome de oxaguiã)

ORISÁ OBANÍJITA

ORISÁ AKIRE OU IKIRE - um valente guerreiro muito rico que transforma em surdo e mudo a quem negligencia

ORISÁ ETETO OBÁ DUGBE - outro guerreiro, ligado a Orisalá

ORISÁ ALASE OU OLÚOROGBO - salvou o mundo fazendo chover num período de seca.

ORISÁ OLÓJO, ORISÁ ARÓWU, ORISA ONIKI, ORISÁ, ONÍRINJA

ORISA AJAGEMO - para o qual durante a sua festa anual em edé, dança-se e representa-se com mímicas, um combate entre ele e Oluniwi, no qual este último sai vencedor.

ORINSALA/OBATALÁ - é casado com Yemowo, suas imagens são colocadas uma do lado da outra e cobertas com traços e pontos desenhados com efum, no ilésin, local de adoração, dizem que Yemowo foi a única mulher de Orisalá - Òbatalá um caso excepcional de monogamia entre orisas e eboras

OSALUFÃ (ORISA OLÚ FON)
Orisá velho e sábio, cujo templo é Ifón pouco distante de Oxogbô, a cerimônia de saudações é de dezesseis em dezesseis dias.

OSOGUIÃ (ORISÁ OGIYAN)
Orisá jovem e guerreiro, cujo templo principal encontra-se em Ejigbô. Tomou o titulo de ELEEJIGBÔ Rei de Ejigbô uma de suas características e o gosto pelo inhame pilado chamado lyán, que lhe valeu o apelido de ORISA-JE-IYÁN ou ORISÁJIYAN. A tradição exige que os habitantes de dois bairros XOLÔ e OKÉ MAPÔ lutem uns contra os outros a golpes de varas

Qualidades do Nanã


Obáíyá - é um Òrisà ligado a água, a lama e aos pântanos, é a qualidade de Naná que usa contas de cristal e veio do país Bariba.

Ajàosi (guardiã da esquerda)- é uma Nàná guerreira e agressiva que veio de If e, e confunde-se às vezes com Obá. É uma divindade das águas doces, e que se veste de azul.

Ajàpa (guardiã que mata) - é um Òrisà bastante temido, ligado a lama e a morte, que veio de Savè . Veste-se de azul e branco, e usa uma coroa de búzios. Ajàpa é associada às profundezas da terra, aos mistérios da morte e do renascimento. Destaca-se como enfermeira; cuida dos velhos e dos doentes, toma conta dos moribundos. Nela predominam a razão.

Oporá - veio de Kétu, coberta de òsun vermelho. É a mãe de Obalùaiyé, ligada a terra, temida, agressiva e irascível.

Burúkú (o mal) - também é chamada Olú waiye (senhor da terra), ou Oló wo (senhor do dinheiro) ou ainda Olusegbe. Este Òrisà veio de Abomey; ligado à água doce dos pântanos, usa um ibirí azul.

As comidas:

Em geral são iguarias para todas as qualidades. EWOS (proibições) -feijão vermelho, pimenta vermelha, banana prata, seus ases podem serazeite doce ou dendê.

Alimentos:
Adun, ekó , aberem, damboro, obi osi, isu, eguidy (feito na folha da banana seca).

Aves:
Adie (galinha), etú, pepeye (pata), eyele

Animais:
Eure - ajapa - águia - rãQualidades de Oyá

Foi a única mulher de Sango que o acompanhou em sua fuga para a terra de Tapa, mas se desencorajou em Ira, sua cidade natal, onde, de acordo com o ditado "Oyà wole ni ile Ira, Sango wole ni Koso" (Oyà entrou na terra na casa de Ira, Sango entrou em Koso), ela suicidou-se ao receber a noticia da morte de Sango. Oya tornou-se a divindade do Rio Níger. Os tornados e tempestades são as marcas de seu descontentamento.

QUALIDADES:

1) Oyà Biniká
2) Oyà Seno
3) Oyà Abomi
4) Oyà Gunán
5) Oyà Bagán
6) Oyà Onìrá
7) Oyà Kodun
8) Oyà Maganbelle
9) Oyà Yapopo
10) Oyà Onisoni
11) Oyà Bagbure
12) Oyà Tope
13) Oyà Filiaba
14) Oyà Semi
15) Oyà Sinsirá
16) Oyà Sire
17) Oyà Gbale ou Igbale (aquela que retorna a terra) se subdividem em:
a) Oyà Gbale Funán
b) Oyà Gbale Fure
c) Oyà Gbale Guere
d) Oyà Gbale Toningbe
e) Oyà Gbale Fakarebo
f) Oyà Gbale De
g) Oyà Gbale Min
h) Oyà Gbale Lario
i) Oyà Gbale Adagangbará

Essas Oyàs estão ligadas ao culto dos mortos, quando dançam parecem expulsar as almas errantes com seus braços. Tem forte fundamento com Omulu, Ogun e Exú.

YANSA
São nove divindades das nove cabeças, Ya Mesan Oru, oito tem fundamento com Ogum e Omulú a nona com Esú.

IYA MESAN - mãe nove, espírito meio animal meio mulher, foi esposa de Osossi e Sangô

OYA PETU -senhora dos ventos, esposa de nagô e amante de osoyin, fundamento com as árvores e suas folhas, guerreira usa cobre.

OYA ONIRA - guerreira e agressiva, companheira de Osun, dona das estradas, principalmente com nas encruzilhadas, tem quizila com Ogum.

OYA ODO - simboliza o amor e o sexo, o prazer, fundamento na água.

OYA BAGAN - fundamento com Oçossi

OYA EGUNITA - fundamento com Ogum Wari e Ode

OYA ONISONI - fundamento com Omulú

OYA TOPE - fundamento com Ogum Soroquê

Bichos de yasã
Eure (cabrita), ajapá, Agbô (abo), malú (vaca).

Aves
Adie, etú, pepeyé, eyeleQualidades de Osumaré

Dan - corresponde ao nome jeje de Òsumarè e, no Alakétu, constitui uma qualidade deste último: é a cobra que participou da criação. É uma qualidade benéfica, ligada a chuva, à fertilidade de abundância; gosta de ovos e de azeite de dendê. Como tipo humano, é generoso e até perdulário.

Dangbé - é um Òsúmàrè mais velho que seria o pai de Dan; governa os movimentos dos astros. Menos agitado que Dan, possui uma grande intuição e pode ser um adivinho esperto.

Becém - dono do terreiro do Bogun, veste-se de branco e leva uma espada. Becém é um nobre e generoso guerreiro, um tipo ambicioso, combativo de Òsumare, menos afetado e menos superficial que Dan. Aido Wedo, também é uma qualidade de Òsúmàrè conhecida no Bogun.

Azaunodor - é o príncipe de branco que reside no baobá, relacionado com os antepassados; come frutas e "leva tudo de d

o"



NAUGIBAUE
EXU (o mensageiro dos Orixás)(Texto e ilustração extraídos do livro Os Orixás, publicado pela Editora Três)

O PERFIL DO ORIXÁ
Exu é a figura mais controvertida dos cultos afro-brasileiros e também a mais conhecida. Há, antes de mais nada, a discussão se Exu é um Orixá ou apenas uma Entidade diferente, que ficaria entre a classificação de Orixá e Ser Humano. Sem dúvida, ele trafega tanto pelo mundo material (ayé), onde habitam os seres humanos e todas as figuras vivas que conhecemos, como pela região do sobrenatural (orum), onde trafegam Orixás, Entidades afins e as Almas dos mortos (eguns).
Esse Orixá (ou Entidade) não deve ser confundido com os eguns, apesar de transitar na mesma Linha das Almas (uma das três linhas independentes) sendo o seu dia a segunda-feira; ficando sob o seu controle e comando, os Kiumbas (espíritos atrasadíssimos na evolução). Exu é figura de status entre os Orixás, que apesar de ser subordinado ao poder deles, constitui uma figura tão poderosa que freqüentemente desafia as próprias divindades. Sua função e condição de figura-limite entre o astral e a matéria, se revela em suas cores, o negro e o vermelho, sendo esta última a vibração de menor freqüência no espectro do olho humano, abaixo do qual tudo é negro, há ausência de luz.
Seus aspectos contraditórios também podem ser analisados sob outro ponto de vista: o negro significa em quase todas as teologias o desconhecido; o vermelho é a cor mais quente, a forte iluminação em oposição à escuridão do negro. Até em suas cores, Exu é o símbolo das grandes contradições, do amplo terreno de atuação.
Os Exus são considerados entidades poderosas, mas nem sempre conscientes dessa força, desconhecendo seus limites e suas conseqüências ao envolver os seres humanos vivos. Assim ao utilizar-se de suas vibrações, um iniciado precisa tomar cuidado para não permitir que Exu, mesmo com o propósito de ajudá-lo, provoque um descontrole energético que possa ser prejudicial ao ser humano.
Sua função mítica é a de mensageiro - é o que leva os pedidos e oferendas do homens aos Orixás, já que o único contato direto entre essas diferentes categorias só acontece no momento da incorporação, quando o corpo do ser humano é tomado pela energia e pela consciência do seu Orixá pessoal (quando a consciência de quem carrega o Orixá desaparece). É Exu quem traduz as linguagens humanas para a das divindades. Por isso, é imprescindível para a realização de qualquer ritual, porque é o único que efetivamente assegura em uma dimensão (ayé ou orum) o que está acontecendo na outra, abrindo os caminhos para os Orixás se aproximarem dos locais onde estão sendo cultuados.
O poder de comunicar e ligar, confere à ele também o oposto; a possibilidade de desligar e comprometer qualquer comunicação. Se possibilita a construção, também permite a destruição. Esse poder foi traduzido mitologicamente no fato de Exu habitar as encruzilhadas, passagens, os diferentes e vários cruzamentos entre caminhos e rotas, e ser o senhor das porteiras, portas entradas e saídas. Isso não entra em contradição com o fato de Ogum, o Orixá da guerra, ser considerado o senhor dos caminhos. Além da grande afinidade entre as duas figuras míticas (que são irmãos, de acordo com as lendas), Ogum é responsável pelo desbravamento, pelo desmatar e o criar de novos caminhos, pela expansão do reino, enquanto Exu é o senhor da força que percorre esses caminhos.
Como, então, essa imagem de menino brincalhão, mesmo que imprudente, se coaduna com a imagem popular que associa Exu ao Diabo? Mesmo em cultos de Umbanda (alguns) Exu é freqüentemente considerado um representante do mal, das forças perigosas e não totalmente recomendáveis.
QUAL A VISÃO ESTÁ CORRETA?
A rigor, ambas ou nenhuma delas. Exu realmente brinca e se diverte, possibilitando brincadeiras e prazeres aos seres humanos. Também mexe com forças terríveis, provoca acontecimentos dramáticos, causando o mal.
Em termos históricos, as culturas africanas que cultuam os Orixás - muito diversificadas, conseqüência evidente de uma sociedade dividida em raças, tribos, muito pouco centralizada para os parâmetros ocidentais - são muito mais antigas que as que conhecemos. Há lendas de Orixás que se explicam como respostas socialmente criativas a acontecimentos perdidos num longínquo passado, como a substituição do matriarcado pelo patriarcado, o surgimento do primeiro conceito de sociedade agrária, em oposição a uma cultura nômade e caçadora.
Assim, como encontrar uma figura que representa o mal numa cultura onde não existe a dicotomia bem-mal? A moralidade ou imoralidade portanto, não está nas figuras dos Orixás, nem principalmente em Exu, mas sim nas interpretações que nós, ocidentais, fazemos a respeito de seus desígnios.
Para a cultura africana, politeísta, onde os deuses brigam entre si, cada um tomando atitudes radicalmente opostas às dos outros, não existe um certo e um errado, mas vários. Cada ser humano é filho de dois Orixás e, para ele, suas atitudes serão as mais corretas, enquanto um filho de outro Orixá deverá manter postura diferente, mas adaptada ao arquétipo de comportamento associado ao seu próprio Orixá.
Outra razão de confusão vem do fato de os negros terem chegado ao Brasil na condição de escravos, tratados como subumanos e sem os mínimos direitos.
Nenhuma hipótese havia, portanto, para que Exu e outras figuras míticas do Candomblé e da Umbanda, fossem aceitas como independentes: os negros tinham de ser convertidos ao Deus Único, aos mitos cristãos.
Uma divindade africana ao ser capturada pelas explicações católicas, teria no máximo o status de santo, divindade menor, praticamente humana, na teologia cristã.
Como precisavam de um Diabo, os jesuítas encontraram na figura de Exu, o Orixá que poderia, meio forçadamente, vestir a sua roupa, provavelmente porque sendo o mais humano dos Orixás, à ele se pede interferência nas questões mais mundanas e práticas, o que resulta que a maior parte das oferendas do culto vá, para ele.
Exatamente por isso, Exu era a divindade que protegia, na medida do possível, os negros dos repressivos senhores. Era para Exu que pediam desgraças para seus senhores.
Dois outros fatores associam Exu ao Demônio; o fogo - elemento do Diabo e também freqüente nos cultos e oferendas para o mensageiro dos Orixás africanos - e o sexo, território considerado tabu pelos católicos, e o prazer - em geral, as atividades favoritas de Exu. A sensualidade desenfreada costuma ser atribuída à influência de Exu, que significa a paixão pelo gozo, sendo freqüentemente representado em estatuetas, como figura humana sorridente, debochada.
Para completar os tabus que marcavam Exu como uma figura que subvertia o conceito de faça o bem e será recompensado, faça o mal e será punido - já que ele podia fazer qualquer coisa e alterar qualquer resultado - mas um fator fez com que fosse não só usado como o Diabo mas reconhecido como sua própria encarnação por parte dos jesuítas: Exu gosta de sangue.
É costume que, em oferendas, o sangue de animais seja o último ingrediente.
Como, porém, essa base filosófica africana foi esquecida na prática pelos brasileiros, existe certo temor e preconceito com relação a Exu. Isso se revela no temor que os babalorixás (sacerdotes que dirigem a Umbanda ou um Candomblé) têm em identificar alguém como filho de Exu, ou seja, como pessoas cuja energia básica é a mesma do mensageiro dos deuses. Reforçam-se assim, os mitos de desgraça que ronda a figura de Exu.
A Pomba-gira, figura comum nos cultos de Umbanda e presente em diversos Candomblés, dada a grande intercomunicação entre as duas vertentes, não passa, de um Exu Feminino, onde estão em destaque o senso de humor debochado, a voluptuosidade e sensibilidade desenfreadas, usando cabelos soltos, saias rodadas e vaidosas flores na cabeça. Sua dança é uma gira frenética, desenfreada, violenta até, com quase nenhum controle - sem compostura, de acordo com a visão ocidental.
CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE EXU
São muitas as pessoas que têm Exu, como fonte energética principal, mas são poucas as que o sabem. É comum um certo temor do pai-de-santo em comunicar ao iniciado que é um filho de Exu (englobado na Linha das Almas), após a confirmação do jogo de búzios. Acontece que os mitos ocidentais e orientais de perigo e desgraça que andam junto de Exu, fazem com que a pessoa que está sob a égide desse Orixá seja considerada uma perseguida da sorte, marcada pelo destino, e são comumente apontados como sofredores, como se ligados ao mal ou ao padecimento.
O arquétipo psicológico associado aos filhos de um Orixá é a síntese das características comportamentais que fazem parte de cada Orixá e que são atribuídas aos seus filhos. Não deve ser encarado como camisa de força que limite os seres humanos, mas guias de comportamento. Essas guias de comportamento ou matrizes, são os Orixás.
No caso dos filhos de Exu, suas características principais seriam a ambivalência e o relativismo, a falta de posturas morais rígidas e inabaláveis, preferindo certo apego à maleabilidade e ao pragmatismo que faz cada situação ser encarada como totalmente independente de outra, cada uma, portanto, merecendo uma saída diferente.

EXÚ
Nenhum outro orixá causa tanta polêmica quanto Exú. Existe muita desinformação e falta de conhecimento a seu respeito, inclusive por parte de muitos babalorixás do Candomblé.
O sincretismo entre os orixás e santos católicos é impossível, pois essa associação ocorreu numa época em que as pessoas foram impossibilitadas de cultuar seus orixás, devido à proibição da classe dominante. Os escravos escondiam os assentamentos embaixo das imagens católicas, numa tentativa de preservar as suas tradições. Por isso, a associação de Exú com o diabo, que existe em outros cultos, é uma forma ridícula de tentar denegrir a imagem desse orixá.
Exú é um orixá muito importante e foi o terceiro elemento criado diretamente por Olorun, com a mesma matéria que seria usada, mais tarde, para a criação da Terra e das criaturas. Nasceu para ser um comunicador, fazendo a ligação entre todos os orixás e os seres criados.
Exú é sempre reverenciado em primeiro lugar, antes de qualquer outro orixá, para que todas as oferendas e obrigações cheguem ao seu destino. Sua função é a de intermediário, ou elemento de transição, entre o céu (orun) e a Terra (aiye). É ele quem carrega todos os ebós para os lugares designados, mas isso, ao contrário de ser uma função subalterna, é essencial para promover a limpeza de toda energia negativa. De nada adianta oferecer um banquete completo para um determinado orixá, se Exú não for devidamente reverenciado para ser o portador da mensagem que está contida na oferenda.
As funções de Exú são muitas, e todas de extrema importância para o equilíbrio do universo, como, por exemplo, estabelecer a comunicação entre nós, seres humanos, e o nosso orixá ou protetor particular. Todos nós temos um Exú, que é individualizado, com suas formas, ou qualidades, bem definidas.
Todos têm Exú, mesmo aqueles que o tratam como demônio. Sem ele, não existiria vida, evolução, movimento, crescimento, dinamismo; enfim, estaríamos completamente estagnados e sem rumo.
Exu é o guardião de todas as passagens, inclusive entre o céu e a Terra, e das porteiras que existem em nosso mundo. É muito importante que ele fique guardando a entrada, para não deixar passar influências negativas e pessoas maléficas que possam nos prejudicar. Alguns babalorixás evocam o orixá Exú para render-lhe homenagem, mas, logo em seguida, pedem que ele vá embora para não atrapalhar as cerimônias sagradas. O que se deve fazer é pedir que ele fique guardando a porta de entrada do barracão para impedir a entrada de eguns e das oxorongás.
Não apenas os seres humanos, mas todos os seres vivos do mundo, têm o seu Exú, assim como todos os orixás (com exceção de Iroko), e todos os presságios, ou Odús do jogo de Ifá, e até mesmo Exú, têm seu próprio Exú.
Esse orixá não tem nada em comum com alguns rituais em que o sacerdote usa longas capas pretas, como as do conde Drácula. A pessoa reage como se estivesse incorporada por um espírito terrível e vingativo, fazendo trejeitos e vociferando coisas hediondas.
Um outro desrespeito, ou equívoco, que se comete contra esse orixá é o fato de associá-lo aos malandros de rua, cafetões e pessoas sem caráter, vestindo ternos brancos, gravatas vermelhas, cartolas e bengalas. Existem também as mulheres que se vestem com roupas de cabaré, usando piteira e taças de champanhe. Esses tipos de roupas e atitudes não pertencem à cultura de Exú. Exú é um ser encantado que tem como características a astúcia e a perspicácia, sabendo exatamente como achar os pontos fracos dos seres humanos, e isso não tem nada a ver com malandragem.
Exú é um orixá que conhece o íntimo do ser humano porque foi criado do mesmo material que nós. Ele sabe tudo o que nós precisamos para viver, como trabalho, dinheiro, moradia, amor, sexo, etc. Ele está intimamente ligado a nós e ao nosso protetor; por isso, em determinadas situações e problemas, nós podemos recorrer diretamente a Exú, para que ele nos abra as portas e limpe nosso caminho dos obstáculos.
Toda casa de Candomblé reserva determinados dias por ano para prestar obrigações a esse orixá, tanto para o Exú de nação, como o do babalorixá e o de cada iniciado que já tiver assentado o seu. Nessas ocasiões, deve-se dar corretamente as oferendas sagradas para cada uma das formas ou qualidades de Exú reinantes nesses terreiros, ou seja, não realizar uma única oferenda para todos os Exús coletivamente, como fazem muitos babalorixás. Cada um tem sua preferência, ou, como dizemos no Candomblé, cada Exú come de uma determinada maneira.
Portanto, não se pode dar uma comida comunitária para essas qualidade do mesmo orixá. Isso causa muita "quizila" nas casas que agem desta forma, desencadeando um processo inevitável de desagregação do axé (força, poder), além de uma crescente desunião entre os participantes, devido à falta de comunicação e harmonia. É preciso ter muito conhecimento sobre esse orixá para alcançar suas graças e não desrespeitá-lo a todo momento Exú é muito importante no oráculo de Ifá, revelando os mistérios de cada Odú e de todos os orixás. Orunmilá, que recebeu dele o oráculo divinatório, é um orixá fun-fun, e a ele está intimamente ligado, com muita harmonia. Portanto, não existe "quizila" (espécie de incompatibilidade) entre os orixás fun-fun (branco) e Exú, ou com os orixás que carregam o vermelho ou o preto. O que existe é um respeito com as interdições de cada um.
Uma característica marcante de Exú é ser o detentor e o transmissor da fertilidade e da fecundação. Esse orixá cuida da parte sexual dos seres vivos e de seus órgãos de reprodução. Nas diversas formas de representar esse orixá, como estátuas e ferramentas, vemos em destaque a genitália masculina e feminina. Algumas esculturas de Exú exibem uma forma fálica (pênis) no alto de sua cabeça. isso, longe de ser obsceno, é uma forma de exibir a extrema fertilidade de Exú.
Na concepção africana, a fertilidade é importantíssima, não só para a procriação, mas em todos os planos da existência, como na agricultura, por exemplo. A fertilidade existente no ser humano possibilita o seu desenvolvimento físico e mental, aguçando a sua criatividade e poder realizador.
Um outro aspecto de Exú é a expansão constante e infinita, que se traduz na própria evolução dos seres vivos, do planeta e do universo. Por esse motivo, a espiral é sua melhor representação.
A abertura dos caminhos também é de sua responsabilidade, sendo, por isso, constantemente evocado. Ogun, que também é o dono dos caminhos, é muitas vezes comparado a Exú, por suas particularidades. A diferença está na criação desses orixás. Exú foi o terceiro elemento criado diretamente por Olorun, e Ogun nasceu de outros dois orixás, sendo um eborá (orixá filho).
Exú, segundo a mitologia, adora inverter a ordem estabelecida, como, por exemplo, a mulher trabalhar fora de casa e o homem gerar as crianças e cuidar de todas as atividades do lar. Isso serve para incentivar mudanças e desenvolvimento. Além disso, ele é muito irreverente, adorando resolver e propor enigmas. Caminha no tempo e espaço com tranqüilidade, buscando coisas no passado, presente e futuro; por isso, é o detentor do oráculo divinatório, juntamente com Orunmilá.
As diferenças físicas que existem entre todos os seres, principalmente os humanos, é um atributo de Exú; caso contrário, seríamos exatamente iguais. A impossibilidade de comunicação entre os povos num mesmo idioma também se deve a Exú.
As dezesseis formas mais conhecidas desse orixá, que me foram passadas em meu período de aprendizado, são: Yangí, Âgbâ, Igbá Ketá, Odarâ, Osijê, Oba Babá, Enú Gbarijó, Elégbará, Bará, Okôtô, Elérù, Odusô, L’onan, Ol’Obé, El’Ebó e Alafia.

Dia da semana: segunda-feira.
Cores: vermelho e preto.
Gêge: nesta nação denomina-se ELEGBA & BARÁ.
Domínios: caminhos, cruzamentos, alto das montanhas, etc.
Oferendas: padê, inhame com dendê, piquiri, etc.

BARÁ

Amachere onibá Exu abanada amachere onibá Exu abanada.
RESPONDER: Amachere onibá Exu abanada amachere anibá Exu abanda.
Exu ademi chechemirê
RESPONDER: Exu ademi chechemirê
Exu ademi chechemibará
RESPONDER: Exu ademi chechemirê
Exu jalana fuá
RESPONDER: Exu jalana fumalé
Exu jalana didê
RESPONDER: Exu jalana fumalé
Exu o Lodê
RESPONDER: Exu ecuo bará Ianã
Bará Exu
RESPONDER: Bará
Lanã Exu
RESPONDER: Bará
Lodê Exu
RESPONDER: Bará
Alupagema
RESPONDER: Alupagema
Alupao
RESPONDER: Alupagema
Ai o que bará
RESPONDER: Alupagema
Ai bará bará
RESPONDER: Alupagema
Choni choni choni padô
RESPONDER: Gam, gam, gam, gam, choni padô
Bará no ecó choni padô
RESPONDER: Gam, gam, gam, gam, choni padô
Olebarábô alaroiê aexulanã olebarábô alaroiê aexulanã iamadecó eco de bará ogum talabô bará oeléfa exulanã
RESPONDER: Olebarábô alaroiê aexulanã olebarábô alaroiê aexulanã iamadecó eco de bará ogum talabô bará oeléfa exulanã
Olebará aléo modibará oelefa epô
RESPONDER: Olebará aléo modibará oelefa epô
Olebará o eléo
RESPONDER: Ae ae olebará
Bará Exu berim
RESPONDER: Exu berim Exu berim ianã
Lanã Exu berim
RESPONDER: Exu berim Exu berim ianã
Ae ae olebaráo ae ae olebará amacelo ogum o amacelo ogum já ae ae olebarao
RESPONDER: Ae ae olebaráo ae ae olebará amacelo ogum o amacelo ogum já ae ae olebarao
Oiá oiá
RESPONDER: oiá eléfa
Exu Demi modibará com seu ajo modipaim
RESPONDER: Exu Demi modibará com seu ajo modipaim
Baráramo Jecum Ioda baráramo jecum lodá eco barárundeo barárundeo baráramo jecum reum
RESPONDER: Chegou Ioda
Barámo reum
RESPONDER: Chegou Ioda
Papainhale
RESPONDER: Papainhale
Exulana fomiô barálana fumaléo
RESPONDER: Exulana fomiô exulana fumaléo

JEJE

Olebará iaboduma sanabore oeléba
RESPONDER: Olebará iaboduma sanabore oeléba
Olebará iaboduma oaçaquere equeoue
RESPONDER: Olebará iaboduma oaçaquere equeoue
Ocoro ocoro ocoro quere quere o eléfa iaboduma
RESPONDER: Ocoro ocoro ocoro quere quere ocoro ocoro ocoro e eléfa iaboduma
Ogum léba Ogum farerê
RESPONDER: Ogum
Ogum dae ae ae
RESPONDER: Ogum dae anaisô
Ogum anira alasebó
RESPONDER: Ogum anira alasebó
Ogum abéo Ogum anicéo Ogum anicéo Ogum
RESPONDER: Ogum abéo Ogum anicéo Ogum anicéo Ogum

AXE DO ECÓ

Exú olodê
RESPONDER: Exú Ecuô Bará lanã
Lanã Exu
RESPONDER: Bará
Lodê Exu
RESPONDER: Bará
Equebau Exú
RESPONDER: Bará
Lodê Exú
RESPONDER: Bará
Amachere oniba Exú abanadá ioamachere onibá Exú abanada
RESPONDER: Amachere oniba Exú abanadá ioamachere onibá Exú abanada
Ademi chechemirê
RESPONDER: Ademi chechemirê
Ademi chechemibará
RESPONDER: Ademi chechemirê
Exu jalana fuá
RESPONDER: Exu jalana fumalé
Exu jalana didê
RESPONDER: Exu jalana fumalé
Lanã Exú berim
RESPONDER: Exu berim Exu berim lanã
Bará Exu berim
RESPONDER: Exu berim Exu berim lanã
Equebau Exu berim
RESPONDER: Exu berim Exu berim lanã
Alalupagema
RESPONDER: Alalupagema
Alalupao
RESPONDER: Alalupagema
Choni choni chonipadô
RESPONDER: gam gam chonipadô
Megê megê
RESPONDER: Ara Ogum megê mireo
Acará medieo
RESPONDER: Ara Ogum megê mireo
Ogum beo aimpara Ogum adio Ogum beo aimpara Ogum adio Ogum vagam
RESPONDER: Ageóra oraóra ageóra